Liderança


JESUS, MODELO DE LIDERANÇA

INTRODUÇÃO
Jesus foi e é o maior líder de todos os tempos. Nunca houve alguém com vocação tão suprema, ministério tão eficaz, liderança tão exemplar e legado mais duradouro. Como líder, ele tinha uma clara consciência de sua pessoa, da sua missão e do seu dever de formar discípulos que continuassem sua obra. Em seu estado de humilhação Jesus aprendeu a depender do Pai em tudo e todas as suas escolhas ministeriais, desde o chamado aos discípulos até seu triunfo na cruz, foram feitas em oração e submissão.
O presente estudo aborda o ministério de Jesus como o modelo supremo de liderança a ser imitado, analisando algumas características marcantes que devem ser seguidas por todo líder cristão, como sua consciência da missão, seu pastoreio sacrificial, seu amor abnegado e o seu exemplo humilde que moldou a vida e o caráter dos discípulos. Todos são chamados a amar, servir e liderar como ele, formando outros discípulos para que a obra de Deus continue se expandindo até a consumação.

I. JESUS, O LÍDER SINGULAR
Jesus foi um líder completo, diferentemente de todos os outros líderes humanos. O caráter singular da sua pessoa como Deus e homem proporcionou uma perfeição a suas ações, palavras e escolhas que nunca poderão ser plenamente imitadas por nenhum homem ou líder. Ninguém pode perguntar aos demais como ele perguntou: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8.46).
Jesus foi único porque sua pessoa é única. Ele é o verdadeiro Deus que se fez carne e veio ao mundo com o propósito de salvar pecadores (Jo 1.1-5,11-14). Ao mesmo tempo, é o servo de Deus que renunciou sua glória nascendo como perfeito homem para dessa forma identificar-se com seu povo e salvá-lo da condenação eterna (cf. Jo 15.13).
A singularidade e perfeição da pessoa e obra de Cristo responde por sua perfeita consciência de si mesmo, de sua missão e das suas ovelhas, coisa que os demais líderes não possuem. Ainda assim, o fato de ele ter sido apontado por Deus como Supremo Pastor e exemplo indica a todo líder cristão que seu dever é seguir os passos do Mestre (1Pe 2.21-22).
A. Consciência de si mesmo
Jesus tinha uma perfeita consciência de quem era. Ele sabia que era perfeito Deus e perfeito homem. Um dos mais importantes títulos encontrados no NT para Jesus é “Filho de Deus” (Mt 11.25- 27; 16.17). Repetidas vezes ele fala de Deus como seu Pai, mostrando que tinha consciência da sua divina filiação. No seu batismo e transfiguração, o próprio Pai testemunhou que Jesus era o seu preexistente filho (Mc 1.1,11; 9.7). Por outro lado, ele nasceu e cresceu como um perfeito homem, sabendo que era o segundo Adão, o descendente real de Davi, o servo sofredor prometido, o messias e “Filho do Homem” que reinaria para sempre.
Essa consciência de Jesus quanto à sua dupla natureza em uma só pessoa é afirmada constantemente no NT. Jesus se define pelo menos 18 vezes com a expressão “Eu Sou”, que apontava para o caráter divino de sua pessoa e missão (Jo 6.35; 8.12,23-24,58; 10.9; 11.25). Porém, em diversas ocasiões, Jesus fez também referência à sua natureza humana (Jo 2.25; 11.35; 12.33). Sua encarnação proporcionou um conhecimento prático do que era a natureza humana com todas as suas limitações. Embora tivesse nascido sem pecado, seu corpo carregava as marcas da fragilidade impostas pela queda, como o sofrimento e a morte.
Esse é um ponto importante para os líderes atuais porque a primeira coisa que um líder precisa ter é uma clara consciência de si. Obviamente, não existem líderes divinos ou perfeitos, porém conhecer a si mesmo é fundamental para um ministério eficaz. Por isso, é necessário buscar um conhecimento profundo de Deus e de sua Palavra, pois tal conhecimento produzirá algo vital no ministério, a humildade.

B. Compreensão de sua missão
Jesus sabia perfeitamente por que veio ao mundo. Ele fala de si mesmo como tendo “vindo” ou sido “enviado” por Deus (Mc 1.38; 10.45; Lc 12.49,51). Ele possuía um completo conhecimento de cada momento e estágio do seu ministério. Essa consciência se devia tanto ao relacionamento eterno com o Pai, quando recebeu sua missão como aos próprios textos proféticos que falavam em detalhes dessa missão. (Veja por exemplo: Jo 16.28; Lc 19.10; Jo 4.34; 10.11; Lc 9.22).
O ministério de Jesus possuía um caráter paradoxal, pois ele tanto sabia da origem divina de sua pessoa, como agiu como um servo sofredor para cumprir a missão dada pelo Pai (Is 53.1-12). Hoje, nenhum líder é capaz de ter uma visão completa da sua missão com respeito a cada estágio de sua vida ministerial como Jesus teve. Contudo, ainda assim é de suma importância para os líderes compreenderem por que foram chamados por Deus e qual é a natureza da sua missão. Os exemplos dos apóstolos e de Paulo mostram que líderes eficazes são aqueles que sabem o propósito de sua missão e mantêm o foco no que é prioritário (At6.1-7; 20.24).
C. Conhecimento de suas ovelhas
A metáfora predileta de Jesus para retratar seu relacionamento com seu povo foi a ilustração do pastor e da ovelha. O Antigo Testamento estava repleto de alusões a Deus como o pastor de Israel (Is 40.10-11; Sl 23.1). Além disso, o conceito de pastorear tornou-se uma importante imagem explicativa usada para retratar a liderança espiritual em Israel. Assim, reis, profetas e sacerdotes eram chamados de pastores (Jr 23.1-4; Ez 34; Zc 11).
Essa metáfora não foi usada pelo Senhor Jesus por acaso, uma vez que era uma clara alusão ao pastor ferido, conforme profetizado por Zacarias, como também uma imagem cultural fácil de ser entendida pelos ouvintes (Zc 13.7-9). Assim, Jesus se descreve como o bom pastor, cuja obra consistia em dar a vida pelas ovelhas (Jo 10.11). O conceito de ovelhas era importante porque mostrava que somente um grupo de pessoas creria na mensagem de Jesus (Jo 10.26-27).
Ao usar essa metáfora, Jesus demonstra ter um conhecimento perfeito das suas ovelhas. Ele sabia quem entre os seus discípulos e ouvintes eram crentes verdadeiros e algumas vezes se referiu a pessoas como não fazendo parte do seu aprisco. De fato, Jesus nunca foi surpreendido por falsas ovelhas e sempre deixou claro que sua missão consistia em juntar apenas aquelas que o Pai lhe dera (Jo 6.37-44; 10.25-29; 13.18).
Esse conhecimento perfeito do rebanho nenhum líder hoje tem, embora seja seu dever pastorear o rebanho conhecendo as ovelhas e cuidando de cada uma delas. Na igreja visível é possível apenas observar os frutos e as marcas da graça na vida de alguém e presumir que tal pessoa seja uma ovelha do Senhor. Contudo, enganos podem acontecer e muitos bodes podem estar no meio do rebanho ou mesmo da liderança. É tarefa dos líderes estar atentos para pastorear as ovelhas do Senhor e ter cuidado com os lobos vestidos de cordeiro.

II. JESUS, O LÍDER A SER IMITADO
O ministério de Jesus consistia em pregar e ensinar as boas-novas do reino (Mt 4.23), instruindo aqueles que respondiam afirmativamente à sua proclamação a terem uma atitude de total submissão à sua própria pessoa e ensino, por ser ele o Messias, Rei e Salvador. A nova vida ideal dos crentes consistia em viver como cidadãos do reino, reconhecendo que o rei veio e que suas exigências eram graciosas e revestidas de autoridade, exigindo uma resposta de fé e um comprometimento absoluto. É possível resumir a prática ministerial de Jesus observando suas quatro principais ênfases, que eram: a) anunciar a verdade de Deus com autoridade aos ouvintes, mostrando que as profecias estavam sendo cumpridas nele e pregando as Escrituras pelo método de exposição, ilustração e aplicação com o objetivo de converter pecadores e edificar os discípulos; b) depender do Pai em tudo, vivendo em completa submissão e vida de oração; c) desenvolver um ministério de misericórdia paralelo ao da pregação, em que as curas e exorcismos tinham o propósito de mostrar a sua compaixão e a natureza singular de sua vida e obra (Mt 11.2-6; Is 35.5-6; 61.1); d) preparar discípulos para que fossem como ele mesmo e dentre eles selecionar um grupo para pastorear os demais (os 12 apóstolos).
A. Jesus, o expositor da Palavra
Jesus foi um pregador da Palavra de Deus e sua forma de pregar foi essencialmente judaica, apresentando a exposição das Escrituras entrelaçada com ilustrações, figuras de linguagem e constantes aplicações práticas. Sua preocupação central era anunciar que o reino havia chegado à sua plenitude e a sua própria pessoa representava a inauguração do estágio final do reino de Deus. Ele era não somente o concretizador das promessas do Antigo Testamento concernentes à era vindoura, mas também o inaugurador dos propósitos finais de Deus na história da salvação, trazendo a mensagem do evangelho tanto para judeus como para gentios (Mt 4.23-25).
A exposição do Antigo Testamento feita com autoridade formava a base do ministério de Jesus (Lc 4.16-21). Ele era tanto o intérprete final das Escrituras, como a sua vida e ministério (nascimento, morte, ressurreição e exaltação) eram a própria chave para se entender o seu conteúdo, uma vez que todas as Escrituras falavam a respeito dele (Lc 24.25-27,44-45).
Durante todo o seu ministério Jesus nunca se apartou da Palavra de Deus e sua linguagem, motivos, temas e mensagem eram somente baseados nela. Algumas vezes, sua pregação consistia em uma exposição bíblica em textos específicos com afirmações revestidas de autoridade e autor referências que indicavam o caráter único de sua pessoa (Lc 4.16-21). Outras vezes, tratava de temas gerais e amplos cujas ideias estavam ancoradas em linguagem alusiva ao Antigo Testamento, como no caso do sermão do monte (Mt 5.1–7.29). Ou, ainda, sua exposição era resultado de uma resposta aos desafios e questões propostas pelos ouvintes (Mt 19.3-12). Sua prática de ensino possuía sempre autoridade e era repleta de metáforas, símiles, parábolas e outras figuras de linguagem usadas para causar impacto nos ouvintes.
A ênfase ministerial de Jesus nas Escrituras e sua forma de interpretar foram imitadas pelos apóstolos e seus seguidores, mas, infelizmente, têm sido negligenciadas pelos líderes. É de fundamental importância reaprender os métodos interpretativos e comunicativos de Jesus, com a profundidade bíblica acompanhada de ilustrações e aplicações práticas que falem ao mundo real dos ouvintes.
B. Jesus e sua vida de oração
A oração foi um elemento distintivo no ministério de Jesus. Não há um único momento em seu ministério em que Jesus não seja visto buscando o Pai em oração. Além disso, o escopo de sua oração era vasto, pois tanto orou por si, como pelos discípulos e os futuros crentes. Ele também ensinou os discípulos a orar e deixou um modelo de oração a ser imitado.
Jesus orou no início e durante seu ministério (Mc 1.35-39; Mt 14.23; Lc 9.28), antes de escolher os discípulos e depois os ensinou a orar (Lc 6.12-16; 11.2; Mt 6.9-15; Mt 21.22; Lc 11.9-13; 18.1; 22.40), antes e durante a sua crucificação (Mc 14.32-42; 15.34-35). Ele rogou (orar com grande intensidade) pela vida espiritual dos discípulos (Lc 22.32; Jo 17.9), pela sua futura igreja (Jo 17.20-21). Jesus zelou pelo papel singular da oração na vida do povo de Deus (Mt 21.13) e alertou sobre a importância da oração na batalha espiritual (Mc 9.29; cf. Ef 6.17- 18). A submissão a Deus em se ministério dirigia suas orações. Ele não orava por algo que implicasse fazer sua própria vontade (Mt 26.36-39,53).
Todas as citações mostram que Jesus viveu em constante oração em seu ministério. A oração não era uma prática ou tema acessório em sua vida, mas a contínua ênfase que norteava seu ministério e deveria também nortear o ministério dos discípulos. Portanto, é impossível pensar em um líder cristão fiel que não seja um homem de oração. Nas palavras do teólogo John Owen, “um ministro pode encher os bancos da igreja, sua lista de comunhão, a boca do público, mas o que esse ministro é sobre seus joelhos em secreto diante do Deus Todo-Poderoso é o que ele é e nada mais”.

III. JESUS, O LÍDER A SER SEGUIDO
Outra característica fundamental no ministério de Jesus foi sua ênfase em formar discípulos e motivá-los a ser como ele. Cristo escolheu homens comuns e os treinou por um período de tempo ensinando-os a guardar a Palavra de Deus (Mt 28.20), corrigindo pela convivência e exemplificando modelos comportamentais a serem imitados (Jo 13.12-17,34-35). Ele os ensinou sobre teologia e como interpretar as Escrituras, sobre a história da salvação e seus eventos finais, bem como a viver em comunhão e de forma piedosa como homens de oração, dispostos a perdoar e servir aos outros com humildade.
Porque seu ministério seria curto (cerca de três anos), era preciso um programa de discipulado rápido, prático, intensivo e seletivo. Então ele escolheu especialmente 12 homens com quem trabalhar mais de perto (Lc 6.12-16). A seleção dos 12 foi um marco importante no ministério de Jesus, pois seu ministério adquirira grandes proporções e isso exigia uma organização e divisão de trabalho mais efetiva. Além do mais, era preciso preparar uma liderança que serviria de fundamento para a igreja do Novo Testamento, que seria composta de judeus e gentios (Ef 2.19-22).
No caso específico dos 12, o objetivo de Jesus foi treiná-los para exercer um pastoreio sacrificial, um amor abnegado pela obra do Pai e uma vida de humildade similar à do Mestre. Eles precisavam pastorear com a Palavra, vigiar em oração, exercer misericórdia para com os fracos e oprimidos e liderar com amor. Sua missão seria testemunhar acerca da obra de Cristo e glorificar o seu nome fazendo discípulos de todas as nações, “ensinando-os a guardar todas as coisas” ordenadas por Jesus (Mt 28.18-20; At 1.8; 4.12,33).
Líderes devem aprender com Jesus que a prioridade no ministério não é apenas pregar, mas formar discípulos pelo ensino e exemplo. Além disso, é importante selecionar e preparar dentre eles os que são aptos para liderar a igreja. Formar discípulos requer tempo, ensino da Palavra, oração, visitação, atribuição de missão, exemplo e humildade.
CONCLUSÃO
Estudar sobre a vida de Jesus como líder nos conduz a um modelo completo de liderança, em que autoridade e serviço, amor e verdade, firmeza e sensibilidade, disciplina e compaixão, fidelidade e submissão andam juntos. É pastorear com coração amoroso e formar discípulos pelo ensino, exemplo e serviço. É ter posição de autoridade, mas agir humildemente como servo de todos. É trabalhar incansavelmente anunciando o evangelho, mas sempre dependendo de Deus em tudo. É ter paciência com as ovelhas, pastoreando cada uma delas de acordo com suas necessidades. É resistir ao erro, denunciar a hipocrisia, o legalismo e as tradições humanas que se sobrepõem à verdade de Deus. Porém, é também anunciar o arrependimento, indicando o caminho da salvação aos pecadores e a vida que devem viver para agradar a Deus. Enfim, estudar sobre o ministério de Jesus é descobrir que nunca houve ou haverá um líder como ele, mas todos os líderes cristãos são desafiados a ser como Cristo.

JESUS, MODELO DE LIDERANÇA

Texto Básico:  Marcos 3.13-15
Para ler e meditar durante a semana
– Jo 13.1 – Jesus, o líder amoroso;
– Jo 13.12-17 – Jesus, o líder servo;
– Jo 8.46 – Jesus, o líder íntegro;
– Mt 23.13-36 – Jesus, o líder corajoso;
– Jo 2.13-22 – Jesus, o líder zeloso;
– Mt 26.39 – Jesus, o líder fiel;
– Lc 9.18-22 – Jesus, o líder focado em sua missão


>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cultura Cristã, na série Expressão, na revista Liderança Segundo o NT. Usado com permissão.

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O compromisso com o evangelho da graça

O apóstolo Paulo foi levantado por Deus para ser o maior teólogo, o maior missionário e o maior plantador de igrejas da história do cristianismo. Ele foi um desbravador do evangelho, um bandeirante do cristianismo, um embaixador de Cristo, um arauto do Rei dos reis. Plantou igrejas nas províncias da Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia Menor. Por sua influência, igrejas se espalharam em todo o mundo Oriental e Ocidental. Sua conversão foi um grande milagre, sua vida foi uma grande cruzada em favor da evangelização e sua morte foi uma profunda demonstração de coragem.

Quando Paulo despediu-se dos presbíteros de Éfeso, fez um dos mais belos discursos de sua carreira. Com palavras eloquentes, desafiou os líderes daquela igreja a assumirem um compromisso solene com Deus, com a Palavra e com a igreja. Para encorajá-los, deu seu próprio testemunho, como segue: “Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24). No texto em apreço, três verdades são destacadas:

Em primeiro lugar, o ministério não é conquistado por mérito, mas recebido por graça. 

“… o ministério que recebi do Senhor Jesus…”. Paulo foi um homem vocacionado. Foi chamado por Cristo para desempenhar o ministério. Ele não se auto-intitulou apóstolo. Ele não se colocou-se num pedestal de liderança nem acendeu os holofotes sobre si mesmo. Sua vocação foi celestial. Ele ouviu a voz divina e a obedeceu. O líder cristão é também um homem vocacionado. É o Espírito Santo quem constitui líderes na igreja. Embora o episcopado pode ser desejado pelo homem, o chamado é divino. Embora a igreja escolha seus líderes, é Jesus quem chama a si os que ele mesmo quer para apascentar suas ovelhas e anunciar as boas novas de salvação.

Em segundo lugar, o ministério não é plataforma de privilégios, mas uma arena de renúncia. 

“Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo…”. A liderança cristã exige renúncia. Ser um líder cristão é abraçar uma sacrossanta carreira, uma excelente obra. Mas, não uma obra de engrandecimento pessoal. Ser grande é ser pequeno. Ser líder é ser servo. Ser o maior é ser servo de todos. Paulo enfrentou toda sorte de provações no exercício do seu ministério. Foi perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, açoitado em Filipos, escorraçado de Tessalônica e Beréia, chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Corinto. Enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém, foi acusado em Cesaréia, foi picado por uma cobra em Malta e foi preso em Roma. Suportou cadeias e açoites. Foi fustigado com varas e apedrejado. Mesmo em face da morte, não considerou sua vida preciosa para si mesmo. A abnegação e não a megalomania foi o apanágio de sua vida.

Em terceiro lugar, o ministério é regido por um ideal mais alto do que a própria vida.

 “… para testemunhar o evangelho da graça de Deus”. Quando o ideal é maior do que a vida, vale a pena dar a vida pelo ideal. Testemunhar o evangelho da graça era o grande vetor da vida de Paulo. Ele respirava o evangelho. Vivia pelo evangelho. Estava pronto a se sacrificar e a morrer pelo evangelho. Nenhuma outra motivação governava sua vida. Não buscava grandeza para si mesmo. Não cobiçava ouro nem prata. Não buscava para si riquezas nem fama. Mesmo sofrendo ameaças e passando parte de sua vida encarcerado, jamais perdeu o entusiasmo de viver nem o senso de urgência de proclamar o evangelho. Considerava-se prisioneiro de Cristo e embaixador em cadeias. Mesmo diante das mais terríveis adversidades, Paulo tinha o coração ardente, os pés velozes e os lábios abertos para proclamar Cristo, a essência do evangelho.

Rev. Hernandes Dias Lopes


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POR QUE DESEJO SER UM PRESBÍTERO?


“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1Tm 3.1).


O presbítero é um homem chamado por Deus, para cuidar do rebanho de Deus, conforme os preceitos da palavra de Deus. À luz de Atos 20.17,28 os termos “presbítero”, “bispo” e “pastor” são correlatos. Não há hierarquia na igreja de Deus. Há ministérios distintos. Todos os ministérios, porém, visam a glória de Deus e a edificação da igreja. O versículo em tela introduz o mais completo texto das Escrituras sobre as qualificações de um presbítero. Destacamos aqui, três lições importantes:

Em primeiro lugar, os princípios que devem reger a vida e o ministério do presbítero procedem da palavra de Deus. 

“Fiel é a palavra…”. O que Paulo ensina sobre o presbiterato não procede dele mesmo. Não são meras sugestões humanas. Ao contrário, são princípios estabelecidos pela palavra de Deus, que é absolutamente fiel. A palavra de Deus regulamenta, orienta e normatiza o que devemos entender sobre a pessoa e o ministério do presbítero. A Escritura trata da vida pessoal, familiar, social e espiritual do presbítero. Ele deve ser um crente exemplar dentro do lar e fora dele. Deve ter bom testemunho na igreja e na sociedade. Deve ser irrepreensível nas palavras e nas ações. Deve ser um homem ensinável e apto para ensinar.

Em segundo lugar, o presbiterato pode ser legitimamente desejado. “…se alguém aspira ao episcopado…”.

 O presbiterato não é uma imposição, mas uma aspiração. Ninguém deve exercer o presbiterato por constrangimento ou obrigação. O presbítero precisa ter  uma profunda convicção de sua vocação. Ele precisa entender que é o Espírito Santo quem o constitui bispo sobre a igreja de Deus. Jamais esse glorioso ministério pode ser exercido por qualquer artimanha política ou manipulação humana. Ao mesmo tempo que o chamado vem de Deus e o reconhecimento vem do povo de Deus, o presbiterato deve ser um ofício desejado por aquele que o exerce. É legítimo aspirá-lo. É necessário desejar exercê-lo. Portanto, ao mesmo tempo que Deus escolhe e chama os líderes da igreja, eles devem exercer, também, esse honroso ofício com voluntariedade e alegria.

Em terceiro lugar, o presbiterato é uma plataforma de trabalho e não de privilégios.

 “…excelente obra almeja”. O presbiterato não é um cargo, mas um ofício. Não é um posto de autopromoção, mas uma plataforma de serviço. Não é um chamado para ser servido, mas uma convocação para servir. Não é um privilégio a ser desfrutado, mas um trabalho a ser feito. Não é uma convocação para sentar-se num lugar de honra, mas é um chamado para descer os vales, em busca das ovelhas perdidas. Não é uma obra de auto-engrandecimento, mas uma convocação para pastorear a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Presbiterato não é apenas um trabalho, mas um trabalho árduo. A palavra grega traduzida por “obra” descreve um trabalho penoso e sacrificial. O presbítero é um pastor que cuida primeiro de sua vida e depois do rebanho de Deus. É um pastor que vela pelo rebanho, que apascenta as ovelhas e as protege dos lobos vorazes. O presbítero não exerce seu trabalho para servir-se das ovelhas, mas para servir às ovelhas. O apóstolo Paulo diz que a obra do presbiterato não é uma obra qualquer, mas uma excelente obra. Não há maior honra do que glorificar a Deus, servindo ao seu povo. Não há maior alegria do que honrar a Jesus, o bom, o grande e o supremo Pastor, do que apascentar as suas ovelhas. Que Deus nos dê líderes segundo o seu coração, que amem a Cristo e apascentem com zelo e fervor, as ovelhas de Cristo!


Rev. Hernandes Dias Lopes

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Vocação, o farol que ilumina o futuro


John Mackay, presidente do Seminário de Princeton, em seu livro O sentido da vida trata desta questão maiúscula e fundamental para a sociedade que é a vocação. Não podemos subestimar esse tema. Ele deve ser discutido no lar, na igreja, na academia e nas mais nobres instituições humanas.

O sentido da vocação é um dos sentidos superiores do homem. É o sentido que o leva a realizar com desinteresse e denodo as maiores empresas. Nos momentos sombrios proporciona-lhe luz, nos transes difíceis incute-lhe novo ânimo.

Vamos destacar alguns princípios que devem orientar a família no trato dessa magna matéria:

1. A vocação é o vetor que rege nossas escolhas

Vivemos numa sociedade embriagada pelo lucro. As pessoas são valorizadas pelo que possuem e não pela dignidade do caráter. O dinheiro e o lucro tornaram-se os vetores das escolhas profissionais. Nessa perspectiva uma pessoa bem sucedida não é aquela que proporciona um maior bem aos outros, mas aquele que ajunta mais tesouros para si. A ganância insaciável é plantada na mente das crianças. Os livros que abrem avenidas para o enriquecimento rápido multiplicam-se nas prateleiras. No mercado global e consumista o lucro é o oxigênio que rega os pulmões da sociedade. Mas, o prazer de fazer o que se é chamado para fazer e a alegria de estar trabalhando numa área aonde a contribuição com a sociedade seja mais importante do que a busca da recompensa financeira precisa ser proclamada aos ouvidos da nação. A riqueza em si não satisfaz, mas o senso do dever cumprido, movido pela alavanca da vocação traz uma alegria indizível.

2. A vocação é a consciência de se estar no lugar certo, fazendo a coisa certa

O problema da vocação é talvez o problema social mais grave e urgente, aquele que constitui o fundamento de todos os outros. O problema social não é apenas uma questão de divisão de riquezas, produtos do trabalho, mas um problema de divisão de vocações, modos de produzir. Um dos mais graves problemas da sociedade contemporânea é que de um lado, há grande quantidade de pessoas sem trabalho ou vocação, e, do outro, quantidade muito maior que não sente vocação para o papel que desempenha. Muitos carecem de convicção vocacional nos cargos que desempenham. São médicos, advogados, legisladores, funcionários públicos, pastores,professores, estudantes e outros profissionais, de quem não se pode dizer senão isto: sabem sê-lo. Cada um tem posição; mas nenhum, vocação. Esses pessam somente nas vantagens que hão de desfrutar e não no bem que podem fazer. Que tragédia quando grande quantidade dos homens de um país procura cargos, em lugar de vocações!

Um indivíduo com senso de vocação tem profundo amor pelo que faz, dedica-se ao que faz e o faz com esmero. Sem vocação não há paixão nem idealismo na profissão. A maior recompensa de um trabalho não é o lucro pessoal auferido, mas a alegria do dever cumprido e a certeza de que se promoveu o bem maior para um número maior de pessoas.

3. Vocação pode ser tanto um pendor quanto um chamado

Em geral, encontra-se a vocação por um destes dois meios: o descobrimento de uma capacidade especial, ou a visão de uma necessidade urgente, diz John Mackay. O pendor natural de uma pessoa para uma área é um sinal claro da vocação. O vocacionado é aquele que tem alegria de fazer o que faz, por isso, tem melhor desempenho no que faz. Seus dotes são demonstrados por ele e reconhecidos pelos outros. Muitas vezes essa descoberta é feita através da leitura de biografias. É na luz dos homens superiores que se deve acender a chama do ideal e perscrutar os horizontes do destino. Enxergamos mais longe quando subimos nos ombros dos gigantes. Inspirar-nos na vida dos heróis é ter a visão do farol alto, é alargar a fronteira dos nossos horizontes. A vocação não raro vem também pelo simples conhecimento de uma grande necessidade. Neemias, ao ser informado sobre a triste condição do povo que regressara da Babilônia, entregue à pobreza e à miséria, deixou seu posto de conforto na cidadela de Susã para ser o restaurador da sua nação. O conhecimento das necessidades à nossa volta nos responsabiliza e muitas vezes pavimenta o nosso caminho rumo ao futuro. A maioria dos grandes benfeitores da humanidade encontrou a vocação achando-se, num momento determinado da vida, face a face com uma situação grave que, imperiosamente, reclamava solução. Quase todas as grandes instituições filantrópicas foram fundadas por homens e mulheres que, como Florence Nightingale, fundadora da Cruz Vermelha, acharam a vocação na tarefa de enfrentar necessidades prementes.


Rev. Hernandes Dias Lopes



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SEM PODER NÃO HÁ EFICÁCIA NA PREGAÇÃO


​O evangelista Lucas encerra seu primeiro livro (o Evangelho), tratando da grande comissão. Jesus deixou claro para seus discípulos que eles deveriam, em seu nome, pregar arrependimento para remissão de pecados, a todas as nações, começando de Jerusalém (Lc 24.47). Em seguida, mostra a necessidade da capacitação de poder para pregarem: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49). Lucas começa seu segundo livro (Atos dos Apóstolos), retomando o assunto da grande comissão e mostrando mais uma vez a necessidade do revestimento do poder do Espírito Santo: “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Não há missão, sem pregação e não há pregação sem poder. Não há testemunho eficaz sem o poder do Espírito Santo. Primeiro a igreja é revestida de poder, depois ela prega com eficácia. Quatro lições podem ser aprendidas dos textos acima:

Em primeiro lugar, o conteúdo da pregação (Lc 24.47)

A mensagem que a igreja deve pregar não é prosperidade nem milagres, mas o arrependimento para a remissão de pecados. A menos que o homem reconheça que é pecador, jamais sentirá falta do Salvador. Só os doentes reconhecem que precisam de médico. Sem arrependimento não há perdão de pecados. Oh, que Deus abra nossos olhos para o conteúdo da grande comissão.

​Em segundo lugar, o alcance da pregação (Lc 24.47).

 Lucas diz que a igreja deve pregar arrependimento para remissão de pecados a todas as nações. O evangelho deve ser pregado por toda a igreja, em todo o mundo, a todo o tempo. Nenhuma visão que não abarque o mundo inteiro não é a visão de Deus, pois o seu Filho morreu para comprar com o seu sangue aqueles que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9). Muito embora a pregação tenha começado em Jerusalém, não foi destinada apenas ao povo judeu, pois foi endereçada a todas as etnias da terra.

​Em terceiro lugar, o compromisso com a pregação (Lc 24.48; At 1.8). 

Tanto no Evangelho como no livro de Atos, Lucas enfatiza que os pregadores são testemunhas (Lc 24.48; At 1.8). Quem prega a palavra deve falar do que ouviu, do que viu e do que experimentou. Não é uma mensagem divorciada de sua vida. A vida do pregador está inalienavelmente comprometida com a mensagem que proclama. Por essa mensagem ele vive e ele morre. Muitas vezes, ela sela com o seu sangue a mensagem que anuncia. Todos os apóstolos de Jesus foram mártires desse mensagem, exceto João, que foi exilado na Ilha de Patmos. Ainda hoje, muitas testemunhas adubam o solo para a semente do evangelho com o seu sangue!

Em quarto lugar, a capacitação para a pregação (Lc 24.49; At 1.8). 

No Evangelho, Lucas fala da promessa do Pai. Em Jerusalém os discípulos deviam aguardar a promessa do Pai, o revestimento de poder, com uma espera obediente, perseverante e cheia de expectativa. Em Atos, Lucas fala que só depois de receberem poder, com a descida do Espírito Santo sobre eles, é que seriam testemunhas até aos confins da terra. Com isso, Lucas está ensinando que a capacitação precede a ação. O revestimento de poder precede a pregação do arrependimento para remissão de pecados. Não há pregação eficaz sem revestimento de poder. Primeiro, a igreja recebe poder do alto, depois ela vai cumprir a missão. Antes de Jesus enviar a igreja ao mundo, ele enviou o Espírito Santo para ela. Hoje, tristemente, nós temos negligenciado essa busca de poder. Substituímos o poder do Espírito pelos nossos métodos. Pregamos belos sermões, mas vazios de poder. Usamos os recursos mais modernos da comunicação, mas não alcançamos os corações. Fazemos muita trovoada, mas não há sinal da chuva restauradora. Oh, que Deus nos faça entender que há tempo para esperar e tempo para agir. Tempo para ser revestido pelo poder do Espírito e tempo para pregar com gloriosos resultados!


Rev. Hernandes Dias Lopes


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Que tipo de líder é você?


O exercício da liderança é legitimo e necessário nas mais diversas categorias de instituições e organizações que pretendem ser bem sucedidas, isso inclui a igreja. Mais do que qualquer instituição a igreja como instituição de natureza espiritual deve ser orientada por líderes que evidenciem, sobretudo saúde integral. 

Olhando numa perspectiva psicológica não podemos deixar de observar a relação existente entre liderança e narcisismo. A eficácia ou ineficácia da liderança se explica pelas disposições narcisistas do líder. Diz a lenda que Narciso, egoísta e orgulhoso, enquanto caminhava pelos jardins de Eco, descobriu a lagoa de Eco e viu seu reflexo na água e apaixonou-se por si próprio. É daí que vem o termo “narcisismo”. O narcisismo é muitas vezes a força condutora alimentando o desejo de obter um cargo de liderança. Se isso não for discernido, pode muitas vezes aparecer em termos aparentemente espiritualizados do tipo: “fui chamado”; “fui ungido”; “escolhido por Deus” e outros termos parecidos sem necessariamente ser isso real ou verdadeiro. 

 Personalidades narcisistas são freqüentemente motivadas por necessidades intensas de poder e de prestigio a assumir cargos de liderança.

Existem diferentes tipos de lideres narcisistas e que podem ser identificados pelas seguintes características:

1. Líder reativo.

O líder reativo é extremamente exigente. Sua grandiosidade e seu exibicionismo fazem-no procurar liderados bajuladores. Os argumentos dos outros são ignorados especialmente quando  são contrários aos argumentos do líder. Os narcisistas reativos toleram apenas os liderados cheios de solicitude; os outros são evacuados; no afã de avançar, o líder não se importa em ferir e explorar os outros. Os liderados atuam diplomaticamente a fim de sobreviver. O líder reativo é desprovido de empatia; ignora completamente a necessidade dos seus liderados, bem como de seus pares, reservando sua atenção exclusivamente a seus interesses. Os projetos que necessitam de um trabalho em equipe ou da iniciativa dos liderados ficam seriamente ameaçados. Esse tipo de líder crê que pode manipular seu meio ambiente e agir sobre ele de tal maneira que não o precisa examinar atentamente. O meio ambiente está “abaixo” dele e não constitui um desafio sério. Sua grandiosidade, seu exibicionismo , sua preocupação com seus fantasmas de sucesso ilimitado faz o líder narcisista reativo empreender projetos extremamente audaciosos. Ele deseja chamar atenção, demonstrar seu domínio, sua inteligência superior. Esse líder não escuta conselheiros, nem seus pares, nem seus liderados. Considera-se a única pessoa suficientemente informada para julgar. Quando as coisas não dão certo, sua tendência é culpar os outros. Ele não se considera jamais responsável pelo que quer que seja negativo. Lideres assim são capazes de despertar emoções primitivas naqueles que os seguem. Alguns têm o poder de provocar um comportamento regressivo nos seus liderados. Exploram os sentimentos inconscientes de seus liderados;  Os líderes que são chamados às vezes de “carismáticos” são mestre na arte de manipular certos símbolos. Os liderados, quando estão sob o “charme” desses líderes , sentem-se, muitas vezes fortes e orgulhosos, ou então impotentes e profundamente dependentes.

Chama-se reativo por se tratar de uma atitude ou reação compensatória em relação às necessidades emocionais da infância que não foram satisfatoriamente atendidas e que prevalecem e persistem  durante a  vida adulta.

2. Líder auto-ilusório

Esse tipo de líder é muito parecido com o líder descrito anteriormente, porém com traços menos evidentes em situação de liderança.

Esse tipo de líder apresenta uma grande insegurança e uma profunda necessidade de ser amado. Precisa de uma cargo de liderança para sentir-se  importante e necessário.

Esse líder é mais tolerante às opiniões divergentes; parece reagir com  simpatia quando tais opiniões são expressas.  Mas tende a dar oportunidade a liderados tido como mais “fracos” ao invés de seus pares que sejam mais ativos e competentes. O líder auto-ilusório mostrará interesse pelas preocupações de seus liderados; essa atitude decorrerá, entretanto, mais do desejo de parecer simpático que de um verdadeiro interesse. Fará tudo para que seu liderado se vincule a ele para levá-lo a satisfazer sua própria imagem. Não espanta a constatação de que esse tesouro de liderado, geralmente “fraco”, idolatra seu líder. Toda iniciativa pessoal será considerada traição. O líder auto-ilusório sente grande ansiedade na tomada de decisões. Ele quer fazer o melhor trabalho possível, assim será admirado e respeitado, mas coloca em dúvida sua capacidade de fazê-lo. Teme o fracasso. Isso o torna muito mais conservador que o líder narcisista reativo.

Naturalmente os líderes conservadores são mais escutados que os aventureiros. Ele tem a tendência de fazer as coisas se arrastarem por um longo tempo; sua hesitação pode resultar numa estagnação organizacional. É preciso notar que o líder reativo trabalha para impressionar a platéia, para ser venerado, para realizar sonhos audaciosos e impossíveis. O líder auto-ilusório deseja apenas, ser amado e admirado pelos que estão ao seu redor. 

Chama-se auto-ilusório pelo fato de ter uma auto-imagem engrandecida decorrente de um ego superestimulado na infância por pais ou cuidadores que  o sobrecarregaram de expectativas irrealistas ou seja, ilusórias.

3. O líder construtivo.

Esse tipo de líder tem um alto grau de confiança, é bastante orientado em direção ao trabalho e aos objetivos a alcançar. O líder construtivo têm uma visão realista de suas capacidades e de seus limites. Ele tem uma atitude de partilhamento e reconhece a competência dos outros. O líder construtivo escuta e aprecia as opiniões dos liderados, ficando feliz, porém em assumir a responsabilidade das ações coletivas.  O líder construtivo tem uma capacidade de inspirar os outros e de criar uma causa comum, transcendendo os interesses pessoais.  O que importa para esse líder é o bem da instituição e das pessoas. O líder construtivo é criativo e visionário e capaz de engajar os liderados no empreendimento  dos projetos. O estilo de tomada de decisão do líder construtivo é mais reflexo da realidade da instituição e do contexto do que do capricho do líder. A flexibilidade do líder construtivo dá-lhe a possibilidade de efetuar uma boa dose de análise, de exame do meio ambiente e de consulta antes da tomada de decisões importantes. Esse líder evita os extremos, a audácia ou o conservadorismo, agindo mais dentro de um registro médio.

O líder construtivo não age de maneira reativa ou auto-ilusória. Ele não experimenta a necessidade de deformar a realidade para lidar com as frustrações da vida.  Esse líder internalizou objetos estáveis (conjunto de percepções, pensamentos, idéias)  que servem de amparo diante da adversidade.  Ele está em condição de exprimir seus desejos e assumir suas ações, sem levar em conta as reações dos outros. Quando se decepciona, não age por despeito, mas é capaz de se engajar em uma ação reparadora. Esse tipo de líder tem a paciência de esperar, de buscar o momento em que os outros terão necessidade de seus talentos. A habilidade, a introspecção e a consideração são características freqüentes dele.

É importante estar atento aos sinais de narcisismo na liderança eclesiástica em quaisquer que sejam os níveis.  O tipo de comportamento encontrado em um líder refletirá a natureza e o grau de suas tendências narcisistas.

Como lideres espirituais convêm que identifiquemos com clareza que tipo de líder somos ou que traços de cada tipo podemos ainda  apresentar. Que sejamos modelados por Deus e contados entre aqueles que são lideres construtivos para edificação da igreja de Cristo. 

Quanto ao Narciso da lenda apaixonando-se profundamente por si próprio, inclinou-se cada vez mais para o seu reflexo na água, acabando por cair na lagoa e se afogar. Não precisa de muita interpretação para saber qual é o fim desse tipo líder dentro de uma instituição.

...Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho.  Ora, logo que o Supremo pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória. IPd.5:2-4


Estudo Pr. Onésimo F. da Silva


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Fidelidade e Excelência


Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do Teu Senhor.

 Deus não procura grandes talentos, dons maravilhosos ou habilidades excepcionais.  Deus procura fidelidade! "O que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel"(1 Co 4.2).   

 Mas o fato é que muitos deixam a desejar. Trabalham para serem vistos (e aplaudidos) pelos homens (ou pelo pastor). O temor aos homens mais que o amor de Deus os motiva.   

 Será que precisamos de estímulos externos para cumprir o mínimo que Deus pede-fidelidade? Talvez ainda não entendemos que a vida cristã é vivida pela graça, sim, mas que a infinita graça de Deus deve nos motivar muito mais que a culpa. Será que preferimos mediocridade no serviço do Rei do universo do que excelência?    

 A graça de Deus é o maior fator motivacional na vida do cristão. À luz de tudo que Deus fez por nós em Cristo, como oferecer a Ele menos que nosso melhor? Realmente a graça nos libertou, mas não para nivelar por baixo e, sim, por cima. Na altura da fidelidade. Na altura da excelência.


Por Pr. Josué Gonçalves


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Líder, tenha uma declaração de missão pessoal!


 Antes de liderar pessoas, é preciso liderar a si mesmo. O líder precisa ter uma filosofia de vida pessoal. Foi isso que Paulo disse para Timóteo: "Tem cuidado de ti mesmo..." (1 Tm. 4:16). Ralf Kerr tinha a seguinte filosofia ou declaração de missão pessoal:

1. Primeiro, seja bem-sucedido no seu lar.

2. Busque e seja digno da ajuda divina.

3. Jamais comprometa sua honestidade.

4. Lembre-se das pessoas envolvidas.

5. Ouça os dois lados, antes de julgar.

6. Procure se aconselhar com os outros.

7. Defenda os ausentes.

8. Seja sincero e firme.

9. Desenvolva uma nova habilidade por ano.

10. Planeje hoje o trabalho de amanhã.

11. Ocupe-se enquanto espera.

12. Mantenha uma atitude positiva.

13. Tenha senso de humor.

14. Seja organizado pessoal e profissionalmente.

15. Não tenha medo dos erros - tema apenas a falta de respostas criativas, construtivas e capazes de superar estes erros.

16. Facilite o sucesso dos seus subordinados.

17. Ouça o dobro do que fala.

18. Concentre todas as suas habilidades e esforços no trabalho que tem à sua frente, sem se preocupar com o próximo emprego ou com alguma promoção.

Por Pr. Josué Gonçalves


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Isso pode acontecer com você...

"Não existe 'por acaso', quando uma vida está nas mãos de Deus".
 Você acredita que Deus, cuja soberania é sem limite, pode transformar tragédia em triunfo, maldição em bênção, mal em bem? Ao estudar a vida de José - governador do Egito, ganhamos a convicção de que nada acontece por acaso quando a nossa vida está sendo dirigida por Aquele que é onisciente, onipotente e onipresenteDeus. Para recordar, a trajetória de José foi essa: Da casa do pai para a cisterna, da cisterna ao mercado de escravo no Egito, do mercado de escravos para a casa de Potifar, como escravo livre, de escravo livre como escravo prisioneiro, de escravo prisioneiro a Governador do Egito

Por Pr. Josué Gonçalves

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O líder e o princípio da humildade

(Pv 15:33; 18:12; 22:14)
"Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou MANSO E HUMILDE de coração". (Mt. 11: 29) 

"O grande homem está sempre  disposto a ser pequeno". (Ralph Waldo Emerson)

I) DEFINIÇÃO
 Definição de humildade: "É o senso de incapacidade que permeia a consciência do líder quando ele contempla a santa majestade e o superabundante amor de Deus em contraste com sua desvalia (pobreza), culpa e total inaptidão, se separado da graça divina". Segundo Ritschl, humildade é o "olho que vê tudo menos a si próprio". Alguém perguntou a Dwitght Moody: "O senhor está dizendo que a pessoa humilde não pensa muito acerca de si mesma? Ele respondeu: "Não; digo que a pessoa humilde não pensa nem um pouco sobre si mesma. O humilde não sabe que é humilde".
 É está humildade que faz com a religião não seja rígida, nem pesada, nem pomposa, mas simples , descontraída, alegre, honrando a Deus e mostrando-se útil às pessoas.
 Parafraseando as palavras de A.W.T em seu livro À procura de Deus, - o homem humilde não é uma espécie de camundongo humano, sofrendo com o senso da sua própria inferioridade. Em sua vida moral, ele pode ser tão audacioso como um leão e tão forte como Sansão , mas não se engana a seu próprio respeito. Ele aceitou a avaliação divina a respeito de sua própria vida. Sabe que é fraco e impotente, como afirma. Paradoxalmente, ele se afirma na certeza de que, à vista de Deus, ele é mais importante do que os anjos. Em si mesmo, nada é; em Deus ele é tudo. Esse é o seu lema motivador. Não fica preocupado pelo fato de o mundo jamais o ver como Deus o vê. Tranquilamente permite que Deus determine seus valores pessoais.
1. O homem humilde espera pacientemente o dia em que cada coisa terá o seu preço marcado, e seu valor real. Enquanto isso vai exercendo sua liderança para o beneficio da humanidade e para glória de Deus, alegremente disposto a esperar o dia da avaliação final.
2. A humildade - ou mansidão - é a expressão do amor. É a atitude de espírito e a disposição predominante do amor. A pessoa humilde está livre do orgulho ou da arrogância.
3. O humilde não se considera auto-suficiente, todavia reconhece seus próprios dons, recursos e realizações.(Hb 10:35).
4. Pessoas humildes não se ofende e nem revida com facilidade.
5. Humildade não é covardia, porque para ser humilde exige grande coragem.
6. A humildade nos leva aceitar um lugar inferior àquele que merecemos.
7. A humildade nos leva a silenciar da respeito de nossos méritos.
8. A humildade nos leva a tolerar desfeitas, insultos e acusações falsas por causa de um propósito superior.

II) A FALSA HUMILDADE
 Pior do que a falta de humildade é a falsa humildade que leva a pessoa a se sentir muito orgulhosa de estar agindo de forma humilde. O escritor e poeta inglês Samuel Taylor Coleridge disse que "o pecado mais apreciado  pelo diabo é o orgulho que imita a humildade".
 A pessoa que usa a falsa humildade está enganando apenas a si mesmo, porque os outros vêem nele uma pessoa pomposa, auto-aduladora e arrogante que, na realidade, apenas finge ser humilde. A pessoa verdadeiramente humilde evita atitudes forçadas. (Cl 2:18-23).
 Algumas pessoas insinuam que tem uma linha direta com Deus, uma linha não acessível a outros crentes.
 Quem tem a verdadeira humildade nunca critica outrem apontando falta de humildade. A tendência para julgar não combina com a verdadeira humildade. Mas é extremamente para o líder enxergar em si mesmo essa tendência.
 O líder não é onisciente, e a humildade o protege de adotar uma opinião insensata.
 Seja a roupa, ou discurso, ou comportamento, qualquer coisa que atraia a si a atenção dos outros, afastando-a da pessoa de Cristo, é desagradável a Deus e viola a humildade. Promove a presunção e dá projeção à vaidade.
 Humildade sempre foi uma qualidade rara, mesmo os discípulos, nem sempre exibiram atitudes de humildade (Mt 15:23).

III)  POR QUE A HUMILDADE É IMPORTANTE? (Sl 113:5,6; Is 57:15).
1. Deus "o Alto, Sublime... o qual tem o nome  Santo" (Is 57:15) habita no coração humilde.
2. Não pode haver amor genuíno sem humildade. Paulo disse: "...o amor não se ufana..." (se orgulha) (1 Co 13:4).
3. É o espírito de humildade de lidera o líder para que possa concentrar-se nas reais necessidades dos outros.
4. A humildade é importante para o líder porque as pessoas seguem mais entusiasticamente aquele cuja motivação não é servir-se a si mesmo.

IV) OS BENEFICIOS DA HUMILDADE
1. Serenidadepaz, suavidade e tranquilidade.
2. Ampliação da vidaA humildade guia ao estudo, à fé e ao serviço. O líder que é humilde não age como se fosse auto suficiente e não precisa se dar ares que sabe tudo, e por isso se acha numa posição em que recebe opiniões e ideias de outros.
Só os humildes abrem a porta da sua vida para a expansão da personalidade e da individualidade.
3. A eliminação do medoHumildade tende a banir o medo porque se rege pelo amor, e "o verdadeiro amor lança fora o medo" (1 Jo 4:18) . O líder humilde sabe que Deus está no controle, sua confiança não é em si mesmo, mas em Deus.
4. SucessoA humildade guia o sucesso. Algumas vezes podemos até rejeitar o sucesso (talvez por falsa humildade), mas ele é uma meta legítima. (Js 1:8).
5. Acessibilidade de recursos ilimitadosHá um principio divino pelo qual a força se aperfeiçoa na fraqueza. Os recursos de Deus acham-se ao dispor do líder humilde que está disposto a reconhecer sua fraqueza. Aquele que não compreende esse principio se enfraquece e desonra ao Senhor.  (Fp 4:13).

V) COMO SE CULTIVA A HUMILDADE
1Entronizar Cristo no coraçãoSe Cristo habita em nosso coração a humildade brotará nele na proporção de nossa entrega pessoal a ele. Vamos querer glorificar a Cristo e não a nós mesmos. O primeiro caminho para a humildade, portanto, é fazer Cristo o Senhor de nossa vida.
2. Obedecer à CristoA pessoa que entroniza Cristo em seu coração desejará obedecer-lhe (Jo 14:15; 2 Tm 2:24,25).
3. Assumir a atitude e o comportamento de uma criancinhaA criança é confiante e inocente, e não arrogante. A criança é obediente, principalmente quando lidera por um pai-eficaz.
4. Seguir o exemplo de Cristo no coraçãoCristo ensinou aos seus discípulos a simplicidade e a humildade da oração. É na presença de Deus que o nosso orgulho desaparece.
5. Seguir o exemplo de Cristo nas relações pessoaisPelo poder de Cristo, temos que evitar, de forma consciente, o elitismo, a intolerância, a distinção de classe e a autopromoção. Aqui também nos aproveitamos da observação em relação à criança que não se sente impressionada com saldo bancário, posição social ou sucessos educacionais de uma pessoa.
6. Servir os outrosO maior exemplo de humildade é Jesus. Sendo Deus em forma de homem, lavou os pés do homens (Jo 13)  servindo-os. A humildade pode ser medida através da nossa pré-disposição em servir. Só as pessoas verdadeiramente humildes sabem servir com prazer.


Por Pr. Josué Gonçalves

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O princípio da oportunidade
Efésios 5:15,16

 Nossas maiores oportunidades nos aparecem habilmente disfarçadas em problemas aparentemente insuperáveis. O que precisamos aprender é transformar obstáculos em oportunidades. Muitos querem fazer grandes coisas, e assim ter grandes realizações, mas, a maior realização está em descobrir os segredos das coisas simples e quase imperceptíveis, pois delas procedem grandes oportunidades.
"Todo revéz traz dentro de si a semente de um avanço equivalente, cabe a nós apenas procurá-lo."
 O exemplo de José, filho de Jacó, nos dá uma visão de uma pessoa que transformou desvantagens em "dez -vantagens". Ele foi vendido pelos irmãos como escravo, no Egito foi comprado por Potifar, em sua casa alcança a posição de Mordomo, depois é assediado pela esposa de Potifar, é caluniado, é preso sobre a acusação de tentativa de estupro contra a mulher, na prisão ganha a confiança do carcereiro, ficando sobre o comando do cárcere e com as chaves das prisões. Diante de Faraó, interpreta seu sonho, e é posto como governador do Egito, um cargo abaixo do Faraó. Este sim conseguiu ver oportunidades onde só havia obstáculos. Os obstáculos que José enfrentou pareciam insuperáveis, mas Deus os transformou em sua maior oportunidade.
 Quando falamos em liderança, é necessário lembrar que toda liderança encontra no caminho obstáculos, mas, o que fazer quando isso acontece? Desistir, ou enfrentar?
 Segundo o princípio da oportunidade, a vida é uma série de obstáculos, e são estes obstáculos que detêm a chave que abre as portas de nossas maiores oportunidades, bastando apenas que nos disciplinemos para enxergá-las em toda a parte.
 Ninguém é perfeito, e como estamos sujeitos a cometer erros - por estupidez, ignorância ou descuido - precisamos aprender a transformar os erros em benefícios. Mas é preciso ter caráter forte para não se desesperar e se entregar ao desânimo. Devemos aprender com nossos erros. Encarar os erros contribui de forma positiva, para uma boa liderança.
 O líder sabe que cometerá erros, mas sabe também que pode fazer com que eles se transformem em benefícios para ele e para o grupo. Quanto mais conseguirmos transformar os erros em benefícios, tanto maior será nossa auto-confiança
Para pormos em prática o princípio da oportunidade, precisamos aprender a encarar os enganos, a agüentar os erros e a tirar proveito deles.

1º Admitir o erro no momento que tiver ciência dele.
 Não podemos corrigir uma situação se não reconhecermos que ele existe. Muitas pessoas ficam esperando que o problema desapareça.

2º Assumir a responsabilidade pelo erro.
 É de impressionar que poucas assumem responsabilidade por qualquer coisa que não foi bem sucedida. Sempre que um erro ou um engano estúpido é mencionado - mesmo que não haja implicação de que a pessoa responsável seja apontada - a reação inicial da maioria das pessoas é dizer de um modo ou de outro: "Não fui eu."
 Este tipo de reação teve início no jardim do Éden, quando Deus confrontou Adão e Eva depois que eles tinham comido o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
 Cometer erros não é o fim do mundo, aliás, as pessoas que cometeram o maior número de realizações são as que cometeram o maior número de erros também.
 Para corrigirmos e tiramos proveito de nossos erros, precisamos assumir a responsabilidade por eles. Como líderes, devemos  assumir também a responsabilidade pelos erros das pessoas do nosso grupo, assim como muitas vezes ficamos com os méritos pelos sucessos do grupo.

3º Fazer um estudo em profundidade das possíveis causas do erro.
Os erros geralmente resultam de:
a) Falha de julgamento;
b) Planejamento insatisfatório;
c) Informação insuficiente;
d) Consolidação deficiente.
 Deixar de estudar as causas do erro apenas garantirá a repetição deles.

4º Rever o modus operandi de modo que o erro não se repita.
 Devemos avaliar constantemente o que fizemos para ver se podemos melhorá-lo - não apenas em relação ao erro, mas em relação a todas as outras atividades. O aprendizado perene assegura uma liderança produtiva. Aprendamos com os erros dos outros também.
 "O inteligente aprende com seus próprios erros, o sábio aprende com os erros dos outros."
 É preocupante ver crentes que aspiram ser líderes e que ainda não aprenderam nada das Escrituras, que não leram, em média, cinco livros por ano, e que nada fizeram para aumentar seus conhecimentos nem apurar suas habilidades.
"Se você se acha maduro demais para aprender, seu próximo estágio será apodrecer."
Temos que estar continuamente aprendendo com as experiências dos outros.
Nosso aprendizado tem der ser seguido pela ação.

5º Usar os erros como placas de sinalização.
 As lições que aprendemos com os enganos que cometemos e com os obstáculos que encontramos e superamos, nos ajudarão a ser melhores líderes no futuro.
 Quando um crente caído se arrepende verdadeiramente, ele pode crescer em graça com grande rapidez, ao passo que, enquanto estava vivendo no pecado ele ficara estagnado.
As cicatrizes do pecado, permanecem mesmo depois que a ferida é curada.
"A Sabedoria de um ser-humano não está em não errar; mas em usar seu erro como alicerce de crescimento." (Augusto Cury)

6º Lembrar que os obstáculos realçam a liderança.
Superando os obstáculos, melhoramos nossa capacidade de liderança:
a) Pela credibilidade que estabelecemos perante outros que percebem que já passamos o que eles estão passando agora;
b) Pelo condicionamento do nosso próprio espírito para o serviço;
c) Pela oportunidade de demonstrar amor, humildade e auto-domínio.

Aqui se fazem necessárias duas palavras de advertência:
1-  O líder não deve tentar destacar-se, nem lamentar-se. Ele não deve se queixar de que está se sacrificando;
2- Tratar os obstáculos como se não existissem é fugir à realidade, e desonra a Deus. Os obstáculos existem.

 Sob a direção de Deus, o líder deve desenvolver o hábito de, criativamente, converter os obstáculos em oportunidades. Esse hábito realçará nossa liderança, inspirando aqueles que nos seguem.
 Com Deus, todo obstáculo pode ser uma oportunidade!


Por Pr. Josué Gonçalves

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12 qualidades do jovem líder
 Neste número queremos compartilhar 12 Qualidades necessárias na vida de um Jovem Líder. Todo jovem que deseja fazer a obra de Deus deverá buscar estas qualidades em oração até que cada uma delas sejam geradas pelo Espírito Santo no seu interior. Tornando-se assim, uma realidade em sua vida. Uma observação se faz importante aqui: O Espírito Santo trará uma profunda crise, até que estas qualidades sejam geradas no interior de cada jovem, que ardentemente desejar estas qualidades impressas em seu interior, em seu caráter. 

1º - O Jovem Líder deve ser: Transparente

 Nada melhor do que nos relacionarmos com jovens transparentes. Esta é a marca de alguém que tem vencido o orgulho e a necessidade de ser aceito. Jovens transparentes, são jovens livres; mais ainda, refletem segurança nos relacionamentos.


2º - O Jovem Líder deve ser: Ensinável

 Jovens arrogantes e sabichões nunca aprendem nada. Se existe algo que nós jovens devemos aprender nestes dias, é a capacidade de sermos ensináveis. Disponibilidade para inclinar os ouvidos e o coração para ser ensinado, é um bom sinal.


3º - O Jovem Líder deve ser: Submisso

 Uma das estratégias de Satanás na vida do jovem é fazê-lo rebelde e insubmisso. Submissão não é prisão, é liberdade. Submissão é uma dos segredos de uma vida longa, próspera e cheia de frutos. Jovens submissos às autoridades são jovens prevalecentes.


4º - O Jovem Líder deve ser: Tratável

 É difícil conviver com alguém duro, resistente e cheio de razão. Jovens intratáveis nunca erram, estão sempre com a razão, justificam-se sempre e finalmente, nunca terão o caráter transformado. Afinal, são intratáveis. Aqueles que têm o coração amolecido por Deus se deixam tratar e se tornam grandes líderes na casa de Deus.


5º - O Jovem Líder deve ser: Humilde

 Qualidade marcante de quem possui uma vida rendida diante do Senhor Jesus. Para estes não há lugar para o orgulho ou a soberba. Só há lugar para um coração despojado, entregue, rasgado diante do altar de Deus. Jovens com um coração humilde expressam a vida de Jesus.


6º - O Jovem Líder deve ser: Manso

 Jesus disse que devemos aprender d'Ele, que é manso e humilde de coração, pois só assim encontraremos descanso para nossas almas. A humildade e a mansidão nos fazem ser semelhantes a Jesus, e traz descanso a nossa alma.


7º - O Jovem Líder deve ser: Cheio do Espírito Santo

 Não pode ser cheio de si mesmo. Cheio de ideias e conceitos próprios. Deve ser cheio do Espírito. Na Bíblia, um dos símbolos do Espírito Santo é o vinho, símbolo de alegria e de vida. Assim os líderes jovens devem ser reconhecidos: cheios de alegria e cheios de muita vida de Deus - este é o nosso combustível ministerial.


8º - O Jovem Líder deve ser: Determinado

A determinação é um fator predominante na vida daqueles que querem vencer. Determinação é um ato da nossa vontade. Jovens de vontade livre terão mais facilidade para desenvolver esta qualidade.


9º - O Jovem Líder deve ser: Fervoroso

 Este é o ingrediente que dá brilho ao ministério do jovem líder. Chega a ser empolgante observar alguns jovens no desenvolver de seu ministério. Há uma diferença entre um líder frio, um morno e outro fervoroso. O frio traz desânimo consigo, o morno não influencia em nada, enquanto que o fervoroso faz toda a diferença.


10º - O Jovem Líder deve ser: Motivado

 Como é bom ter líderes motivados na igreja, e como é bom estar ao lado deles. Eles nos impulsionam a seguir em frente e vencer. Na verdade, a motivação do líder é responsável por 50% do êxito de seu ministério. Líderes motivados tem o crescimento desobstruído.


11º - O Jovem Líder deve ser: Disposto

Nada mais chato que tratar com pessoas indispostas. Geralmente não produzem nada, e tem a capacidade de influenciar negativamente, com sua indisposição, os que se mostram dispostos. Disposição é uma qualidade importante na liderança.


12º - O Jovem Líder deve ser: Ousado

 E para finalizar, a bendita ousadia que nos conduz onde quer que o Senhor nos conduza. Uma pequena direção dada por Deus no nosso Espírito, nos fará avançar e prosperar naquilo para qual fomos dirigidos, sem qualquer dúvida, questionamento ou sentimento de incapacidade. O jovem líder que desenvolve esta qualidade, avança, prospera e supera suas próprias limitações.

 Minha sincera oração, é para que o Senhor gere em nosso espírito um desejo e necessidade ardentes por estas qualidades em nossa vida.Amém!


Por André Aliende


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Liderança: carisma e caráter!
"Uma liderança que não se sustenta no alicerce da integridade, não permanece: sempre vai entrar em colapso e, geralmente, mais cedo do que se pensa". (John Adair)

"Não conheço o segredo do sucesso, mas o segredo do fracasso é tentar agradar a todos". (Bill Cosby)

"Toda grande instituição é a sombra projetada de um único homem. Seu caráter determina o caráter de sua organização". (Ralph Waldo Emerson)

"Os homens mostram o seu caráter de maneira mais clara nas trivialidades, quando não estão sendo observados".(Arthur Schopenhauer)

 Assim como o avião depende das duas asas para se manter no ar, o líder depende de carisma e de caráter para exercer liderança com sucesso duradouro. O líder que ninguém esquece, tem as duas asas: carisma e caráter.
 O que é carisma? É a habilidade de atrair pessoas em torno de si. Por isso, as multidões seguiam a Jesus.
 O que é caráter? É um conjunto de hábitos adquiridos ou desenvolvidos ao longo do tempo, que define quem "é" a pessoa.
 Jesus foi testado, tentado e provado em tudo e concluiu sua missão como "homem" irrepreensível - tinha profundidade de caráter. O comportamento e as atitudes de uma pessoa em tempo de lutas, de provações e de tentações, diz muito sobre o seu caráter. Isso porque a melhor maneira de se conhecer o substrato do ser de alguém, é na hora da tentação, do deserto ou da crise.
 Ao ser tentado pela mulher de Potifar, José do Egito manifestou a profundidade do seu caráter. Se ele não tivesse passado por esse teste de fogo, no qual saiu vitorioso, sua história seria mais uma dentre as muitas (Gn. 39). São de Geoffrey Wilson as palavras: "As ações dos homens formam um indicador infalível de seu caráter".
 A grande preocupação de Jesus, no Sermão da Montanha, era com o caráter dos seus discípulos. Eles não poderiam ser mundo do mundo, nem terra da terra, mas sim luz do mundo e sal da terra, pois foram chamados para fazer diferença. (Mt. 5:13-15). Ao concluir o sermão, no capítulo 7, Ele diz que o único projeto de vida que resistira em tempos de provações, seria aquele em que o construtor levou a sério a Sua palavra e a colocou em prática. Estes são os que se preocuparam com a integridade, a santidade, a honestidade, a verdade, a pureza, enfim, com a profundidade do caráter. Eu, particularmente, gosto muito de um pensamento anônimo que diz:

 "Reputação é o que os homens pensam o que você é; caráter é o que Deus sabe o que você é".

 Quando o apóstolo Paulo escreveu para o jovem Timóteo, que assumiria o seu lugar no ministério, tendo em vista que o tempo da sua partida havia chegado, sua grande preocupação era com a profundidade do caráter do seu sucessor. No capítulo dois, da segunda carta à Timóteo, ele deixa claro o caminho que o seu substituto deveria seguir, em busca da excelência e do sucesso como líder:
1. Para fazer a diferença como um líder aprovado, há um preço a ser pago - sofrimento (2 Tm. 2:3). Ministério é uma chamada para o sofrimento.
2. Saiba a quem você deve agradar no exercício de sua liderança. Quem o alistou? Satisfaça a Ele, Cristo (2 Tm. 2:4).
3. Não basta chegar na frente; é preciso seguir as normas pré estabelecidas para ser coroado. Não seja desonesto, porque estes não recebem o prêmio (2 Tm. 2:5).
4. O sucesso no exercício da liderança, sempre foi, e será, o resultado de muito trabalho. Sem trabalho não há colheita digna de festa (2 Tm. 2:6).
5. Procure ser aprovado no que você faz para Deus. Não adianta ser aprovado pelos homens e reprovado por Deus (2 Tm. 2:15).
6. Não perca tempo com aquilo que não vale a pena (2 Tm. 2:16).
7. Não basta você ser um vaso, seja um vaso de honra na grande casa(2 Tm. 2:20,21).
8. Nunca brinque com aquilo que pode destruir o seu projeto de vida; se for necessário, fuja dele (2 Tm. 2:22).

 "Como é fácil permitir que a alma se encolha por causa de comprometimentos triviais". (H.B.London Jr.)

 O que está faltando a alguns líderes, hoje em dia, que, apesar de terem muito carisma, não conseguem manter sua liderança? Por que grandes ministérios e ministros têm sucumbido vergonhosamente? Por que o título "pastor" já não tem o mesmo valor que tinha há anos atrás? Por que a palavra de um líder espiritual hoje, não tem o mesmo peso que tinha em anos passados?
 Infelizmente, estamos sofrendo uma crise de integridade e de caráter na liderança. Quero deixar claro que não estou generalizando; ainda há muito trigo, apesar do joio. Porém, nunca se ouviu falar sobre tantos escândalos como atualmente: mentiras, adultérios, homossexualismo, roubos, conchavos políticos, barganhas, subornos, gente se enriquecendo às custas do dinheiro do povo, transações ilícitas etc.

Pense nisto:
A maneira como o líder administra o dinheiro da igreja, revela muito do seu caráter.
A maneira como o líder se relaciona com o sexo oposto, diz muito sobre o seu caráter.
A maneira como o líder trata sua esposa e filhos expressa como é o seu caráter.
O conteúdo das conversas informais do líder, revela muito sobre o seu caráter.
A maneira como o líder trata os ricos e os pobres, os negros e os brancos, fala muito do seu caráter.
A maneira como o líder se comporta quando está sozinho expressa como é o seu caráter.
A maneira como o líder administra os seus negócios financeiros revela muito do seu caráter.
A maneira como o líder responde à oposição diz muito do seu caráter.
 Meu pai sempre dizia: "A minha vida tem que falar mais alto do que a minha voz". Não pode haver incoerência entre o que eu prego, o que faço e o que sou. Deus não me avalia pelo que eu tenho ou faço, mas sim, pelo que eu sou; e o que eu sou é determinado pelo meu "caráter". Eis o porquê de um líder buscar sempre o equilíbrio entre o SER e o FAZER. O fazer, sem ser, não tem valor para Deus.


Por Pr. Josué Gonçalves


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Desafios da Liderança Cristã
 A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe, uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade.
 Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: Shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz".
 Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo. O líder há de ser íntegro"limpo de mãos(cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6).
 O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver. O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam.
 Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito.
 É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade"(Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário.
 O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias.
 A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos.
A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados.
É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional:
* O Espírito Santo é Quem a dirige
 É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus.
* Essa Igreja vive na quarta dimensão
 Sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo.
 Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias.
 Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural. Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte:
O Líder Natural
É autoconfiante;
Conhece os homens;
Toma as próprias decisões;
Usa os próprios métodos;
Gosta de comandar os outros (e ser obedecido);
É motivado por questões pessoais;
É independente.
Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual:
Confia em Deus;
Conhece os homens e conhece a Deus;
Faz a vontade de Deus;
É humilde;
Usa o método de Deus;
Busca obedecer a Deus;
É motivado pelo amor a Deus e aos homens;
Dependência de Deus .

Por Walter Santos Baptista

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Princípios bíblicos para o sustento do obreiro
Aprenda a confiar no Deus que chamou você para a obra
"O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos" (Paulo de Tarso).

Deus chama, envia e patrocina os enviados!
 Quero deixar bem claro, ao começar este capítulo, um princípio bíblico extremamente importante quanto ao sustento do obreiro: Se Deus o chamou ele o sustentará. Assim como você chama alguém para fazer um trabalho em sua casa e paga por seus serviços, da mesma maneira Deus nos chama para fazer a sua obra e nos paga. Os meios desse pagamento são mui variados.
 A igreja evangélica criou certos conceitos e estereotiparam vícios de linguagem que deturparam toda uma geração de obreiros. Um dos vícios de linguagem, e por conseguinte um conceito mal interpretado é o de "tempo integral" e "viver por fé". O conceito que temos de tempo integral no ministério, significa deixar de trabalhar em uma profissão, e passar a ganhar salário da igreja, ou se não for assalariado pela igreja, "viver pela fé". Alguns dizem: "Não estou de tempo integral, pois tenho o meu emprego secular". Esses dois termos precisam ser analisados novamente. Não é errado dizer que se está de tempo integral no ministério, ou que tenho o meu trabalho secular, o problema é que esses dois termos são frutos do eclesialismo evangélico que ensina haver duas classes de pessoas na igreja - o clero e o leigo; e dois mundos distintos - o religioso e o secular.
 O clero é pago para cuidar do leigo que trabalha! Essa conceituação de clero e laicato precisa ser analisada com bastante profundidade em nossos seminários e institutos bíblicos, já que "leigo" tem conotações diferentes dependendo do pensamento dominante em cada denominação. Em alguns lugares a pessoa é leiga porque não é formada num seminário, noutros é leiga porque não faz parte do clero, e noutras é leiga porque nada sabe sobre assunto algum da Bíblia e da igreja.
  Na igreja todos os crentes são ministros do Senhor, tanto o que é sustentado pela igreja para fazer a obra, quanto o que trabalha com suas mãos para ganhar seu sustento. Paulo, o apóstolo, não era assalariado por organização alguma, e muitas vezes usou parte de seu tempo para fazer tendas e levantar seu sustento; na maioria das vezes dependeu da benevolência dos irmãos. Dois autores tratam muito bem dessa questão de sustento, e do clero e laicato: Watchman Nee, aborda a questão do sustento de um ponto de vista bíblico, que não deve ser desprezado, apesar de que muitos de seus conceitos não se encaixam em nossa cultura Ocidental. Em seu livro A Vida Normal da Igreja Cristã, no capítulo 8, "A Questão das Finanças", deve ser profundamente analisada.
 Já Howard Snyder, aborda a questão do clero e laicato à luz da Bíblia, cuja análise também deve ser conferida por todo estudante das Escrituras. Vale a pena ler o livro Vinho Novo, Odres Novos. Ambos trazem bastante luz sobre esses assuntos. Recomendo a leitura desses livros, o primeiro por apresentar desafios quanto ao sustento do obreiro e em como deve enfrentar a questão das finanças, e o segundo pela abordagem bíblica, sólida e de grande valor teológico sobre clero e laicato.  
 Gosto da franqueza de Nee, quando diz: "Se um homem confia em Deus, que vá e trabalhe para ele. Se não, que fique em casa, pois lhe falta a primeira qualificação para o trabalho. Há uma idéia predominante de que, se um obreiro tem uma renda estabelecida, ele pode ficar mais à vontade para o trabalho e, conseqüentemente fazê-lo melhor, mas, para falar com franqueza, na obra espiritual há necessidade de uma renda incerta, pois essa necessita de íntima comunhão com Deus... Deus deseja que seus obreiros recorram somente a ele em busca de recursos financeiros, e assim não deixem de andar em estreita comunhão com ele e aprendam a confiar nele continuamente...".
A posição radical de Nee é: "De quem somos nós trabalhadores? Se formos trabalhadores dos homens, então vamos aos homens em busca de sustento; se, porém somos trabalhadores de Deus, então a ninguém mais devemos dirigir-nos, senão a ele, embora ele possa satisfazer nossas necessidades por meio de nossos irmãos." 
 Anos atrás as colocações de Nee sobre finanças levaram-me a considerar a ter uma vida de maior dependência de Deus do que dos homens, e abriram-me a perspectiva de que, mesmo sendo sustentado por uma organização, precisamos entender que a provisão vem sempre de Deus e não dos homens.
 Mas nem todos concordam com Nee, especialmente aqui na cultura Ocidental. Em nossa cultura, especialmente nos Estados Unidos e Inglaterra, existe um conceito bíblico arraigado na cultura do povo de que o obreiro deve ser pago e receber salário da igreja, pelo trabalho que faz; e essa cultura espiritual dá maior flexibilidade a que obreiros levantem fundos para a obra que realizam, especialmente se não são pastores de igrejas.
 Nenhum pregador é despedido de uma reunião onde pregou, de mãos vazias, e é sempre abençoado pela igreja ou pela espontaneidade dos irmãos. E creio que essa cultura Ocidental está melhor fundamentada no conceito que a Escritura apresenta sobre o sustento do obreiro. Cresci numa igreja que não honrava seus obreiros com ofertas generosas e, quando pela primeira vez comecei a pregar nos Estados Unidos no fim da década de sessenta, fiquei surpreso com a generosidade daqueles irmãos depois do culto. Foi lá que aprendi a lição de honrar os que pregam em nossas igrejas.
 Se tivermos que recorrer a um ensino apostólico sobre o sustento do obreiro, é a Paulo que temos de consultar, pois apresenta o assunto do sustento do obreiro de forma clara e incisiva, especialmente quando defende seu ministério diante dos irmãos da igreja de Corinto. Parece, a princípio, haver um choque de opiniões entre o ensino de Jesus e o de Paulo, mas ambos encaixam-se perfeitamente.
 Jesus apresentou aos apóstolos um modelo de sustento. Ele recomenda: "Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos, nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão: porque digno é o trabalhador do seu alimento" (Mt 10.9-10). Mas em Lucas ele faz nova proposta: "Quando vos mandei sem bolsa; sem alforje e sem sandálias, faltou-vos porventura alguma cousa? Nada, disseram eles. Então lhes disse: Agora, porém, quem tem bolsa tome-a, como também o alforje..." (Lc 22.35-36). Se ao lado de Jesus na terra dessas cousas não precisavam, agora que ele iria morrer, deveriam usá-las!
 Pelo ensino de Jesus, os apóstolos deveriam sair com o mínimo de bagagem e depender da hospitalidade e amor das pessoas. Qual a centralidade dessa recomendação de Jesus? Ele os ensina a não confiarem nem dependerem dos seus próprios recursos para fazer a obra de Deus, mas a dependerem do Senhor que os envia. Alguns irmãos dizem: "Se eu tivesse dinheiro, investiria tudo na obra de Deus". Eis aí o engodo de Satanás! Se alguém tem dinheiro, raramente investe no reino, pois o princípio de Deus é que a obra seja feita em total dependência dele e não de nossos recursos! Os que menos têm, são os que mais fazem! Jesus está dizendo: "Vocês merecem o sustento. Eu os pagarei".
 Mais tarde, no entanto, o ministério apostólico dependia, em parte, das ofertas das igrejas já estabelecidas, como veremos. Se o obreiro local deveria receber honorários dobrados, alguém deveria receber soldo simples, ou a expressão de Paulo é comparativa ao "soldo" comum daqueles dias a um trabalhador normal, pelo menos esse é o pensamento de Mathew Henry em seu comentário bíblico. Se no início da igreja os apóstolos seguiram o ensinamento de Jesus, no decorrer dos anos, mantendo-se atento ao princípio ensinado por Jesus, os apóstolos passaram a receber contribuições das igrejas estabelecidas para seu sustento e para a fundação de novas comunidades. A igreja de Jerusalém, certamente, contribuía financeiramente com os irmãos de Antioquia e esta com as comunidades iniciadas por Paulo e Barnabé.
 Além da abordagem de Jesus sobre sustento, e ele não estava implantando um modelo de sustento para a igreja, busca-se no Novo Testamento, um ensino claro e abrangente sobre o sustento do obreiro na igreja local, e o único texto que é claro e específico sobre o assunto é o de 1 Timóteo 5.17 e 18, que aparece assim na versão da Bíblia de Jerusalém: "Os presbíteros que exercem bem a presidência são dignos de dupla remuneração, sobretudo os que trabalham no ministério da palavra e na instrução".  A expressão "presidem bem" é a mesma palavra grega que aparece nessa carta de Paulo a Timóteo no capítulo 3.4, "governe bem", que é proistemi. 
 O texto de 1 Timóteo acima mencionado, na atualizada diz: "Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários..." A palavra axioo é usada como "merecedor", "ter direito", "ser correto" e aparece em Atos 15.38 como "achava justo" (quando Paulo "não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília..."). Em Atos 28.22 aparece como "gostaríamos" ou "pensamos ser correto" e em 2 Tessalonicenses 1.11 aparece como "digno". Esses são os únicos lugares no Novo Testamento em que a palavra grega é utilizada. Já a expressão, "dobrados honorários" só aparece uma única vez no texto de 1 Timóteo.
 Por aparecer totalmente isolado no Novo Testamento, o texto de 1 Timóteo 5.17 tem que ser analisado à luz de todo ensino de Paulo sobre o sustento do obreiro. Isto não quer dizer que um texto isolado sobre um assunto determine ou não uma doutrina. Por exemplo, temos vários textos sobre a ceia do Senhor, e ela, entretanto, não está mui clara no Novo Testamento, mas sabemos que é bíblica e que foi instituída por Jesus e necessária na reunião da igreja. Nem a ceia que comemoramos hoje se parece com a que os primeiros crentes partilhavam entre si. Mas temos a ceia!
 A prática da ceia difere totalmente dos dias apostólicos, e, para sermos sinceros, a maioria dos expertos em doutrinas bíblicas deixam algumas interrogações no ar, sempre que falam da ceia. Outro exemplo: não nos reunimos como fazia a igreja dos primeiros dias, mas nem por isso deixamos de nos reunir. Se Paulo aparecesse em nossos dias ficaria assustado com a forma de culto que adotamos, mas como nem Jesus nem ele nos deixaram uma forma de reuniões ou encontros de crentes, o Espírito Santo usa a criatividade do povo para entregar o melhor para Deus. Assim também com respeito as finanças. O princípio encontrado nas Escrituras é que Deus sustenta seus obreiros, não os abandona em momento algum. A forma como isso acontece, varia, até mesmo conforme a cultura de um povo.
 Os irmãos de Corinto não são bem vistos no Novo Testamento como povo contribuidor. Todo ensino sobre finanças àquela igreja vem em forma de advertência, de exortação e de comparação com outras igrejas. Paulo chega a dizer: "Será que cometi algum pecado ao humilhar-me a fim de elevá-los, pregando-lhes gratuitamente o evangelho de Deus? Despojei outras igrejas, recebendo delas sustento, a fim de servi-los. Quando estive entre vocês e passei por alguma necessidade, não fui um peso para ninguém; pois os irmãos quando vieram da Macedônia, supriram aquilo de que eu necessitava. Fiz tudo para não lhes ser pesado, e continuarei a agir assim" (2 Co 11.7-9 NVI).
 Não consigo entender como o povo de Corinto reagia negativamente às questões financeiras de seu apóstolo; quem sabe o Espírito Santo deixou esse registro para mostrar aos obreiros que algumas igrejas serão sempre assim! Paulo trabalhava com suas mãos, tirava o sustento de seu próprio trabalho, para poder ensinar a Palavra àqueles irmãos! Outros, entretanto, eram ajudados por aquela igreja que se recusava a ajudar o apóstolo! 

"Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos" (1 Co 4.11-12 NVI).

 Em algumas ocasiões os cooperadores de Paulo trabalhavam a fim de que ele estivesse livre para pregar o evangelho. Em Corinto, Paulo uniu-se ao casal Áquila e Priscila "e, posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles, e trabalhavam; pois a profissão deles era fazer tendas" (At 18.3). Eis uma das qualidades do apóstolo: saber fazer alguma coisa! Quando sai a abrir novas frentes, tem como se manter, se as circunstâncias assim o exigirem. Nesse caso, Paulo, Áquila e Priscila faziam tendas; no Sábado estavam na sinagoga e entre os judeus pregando a Palavra. Ele pára de fazer tendas quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, pelo que, "Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus" (At 18.5). Entende-se que seus dois discípulos passam a trabalhar em busca do sustento, enquanto Paulo se dedica à pregação.
 Apesar de trabalhar para seu sustento em Corinto, noutras cidades Paulo era ajudado por ofertas de várias igrejas. Ele não radicaliza o assunto, como alguns, que acham que o obreiro deve viver de ofertas e pela fé; ou outros que acham que o obreiro deve trabalhar para se sustentar. Não, Paulo não se posiciona radicalmente a respeito, ao contrário, apesar de tantas vezes trabalhar, lança a base doutrinária para o sustento de obreiros. 
 Em 1 Coríntios 9 Paulo usa alguns exemplos de pessoas que são sustentadas no que fazem. São cinco exemplos por ele apresentados: o soldado, o agricultor, o pecuarista, o boi e o sacerdote.
* O soldado: "Quem jamais vai à guerra à sua própria custa?" (1 Co 9.7). Paulo está usando uma linguagem compreensível na época, pois as guerras eram financiadas pela sociedade através dos impostos e dos "liturgos", pessoas ricas da sociedade que financiavam com seus próprios recursos a manutenção dos teatros, escolas e navios de guerra. Nenhum soldado vai à guerra se não tiver apoio financeiro. Ele precisa de recursos para o sustento da família e dele próprio. Ainda é assim nos dias de hoje. Ninguém se alista para uma guerra se não obtiver algum retorno mais tarde. Para poder viajar, locomover-se e lutar, ele precisa de apoio técnico e logístico. E Paulo usa o soldado como exemplo de obreiros que precisam ser financiados no seu ministério.
* O agricultor: "Quem planta a vinha e não come do seu fruto?" (1 Co 9.7). A segunda figura é a do agricultor. Paulo se refere ao trabalhador rural, que trabalha e prepara a terra; faz a semeadura, cuida das plantas enquanto crescem, irriga, e tem o direito de comer do que plantou. Seu argumento é: "Se nós vos semeamos as cousas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais?" (v. 11). Paulo entendia que a semeadura espiritual produz bens materiais! Outros usufruíam da lavoura, e ele não (v. 12). Assim que, aos crentes da Galácia, recomenda: "Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as cousas boas aquele que o instrui" (Gl 6.6). Para Paulo o semeador tinha direito sobre o fruto da colheita. Seu ensino a Timóteo, como vimos evidencia sua preocupação com o sustento do obreiro.
* O pecuarista: "Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho?" (1 Co 9.7). A pessoa que lida todos os dias cuidando de seus animais, vacas, cabritas, ovelhas, tem direito ao leite que elas produzem! Cada um desses exemplos mexia com a vida dos crentes de Corinto, pois entre eles havia agricultores, soldados, e criadores de animais.  
* O boi de canga: "Porque na lei de Moisés está escrito: "Não atarás a boca ao boi que debulha. Acaso é de bois que Deus se preocupa? Ou é, seguramente, por nós que ele o diz? Certo que é por nós que está escrito, pois o que lavra, cumpre fazê-lo com esperança; o que debulha, faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida" (vv. 9-10). Paulo chega a comparar o obreiro do Senhor a um boi que trabalha, seja lavrando ou rodando o moinho. Esse boi, diz Paulo, precisa ser alimentado, do contrário não conseguirá trabalhar.
* Os sacerdotes: "Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados, do próprio templo se alimentam; e quem serve o altar, do altar tira o seu sustento?" (v. 13). Paulo ilustra a necessidade do sustento do obreiro com a figura do sacerdote que comia dos sacrifícios trazidos ao altar, uma referência aos costumes do Antigo Testamento. Os sacerdotes estavam a serviço do povo, em funções especiais. Isso não nos dá margem ao clero e ao laicato, mas a funções distintas do exercício ministerial.
 E, concluindo, afirma: "Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho" (v. 14). Ele usa um verbo muito forte: ordenou. Paulo, no entanto, não se serviu de nenhuma dessas possibilidades, mas jamais posicionou-se contra os que viviam do evangelho. Por questões pessoais, Paulo não recebia sustento da igreja de Corinto, mas o recebia de outras igrejas, conforme ele mesmo declara em Filipenses 4.18: "Recebi tudo, e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte, como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus." Quantos de nós poderíamos dizer: "estou suprido", "de nada tenho falta"? 
 O que mostramos acima deveria ser entendido por todo obreiro desde o dia de seu chamamento. Ele tem direito a trabalhar com suas próprias mãos para o seu sustento, mas também direito de receber pelo trabalho que faz. Isso deve ser também entendido pela igreja, para que saiba dimensionar um salário justo que cubra todas as necessidades do obreiro e de sua família. Trabalhar com as próprias mãos, pode ser bom, mas não é método do próprio Deus para seus obreiros: "Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho". Existem implicações no crescimento da Obra quando o obreiro precisa dedicar seu tempo todo em busca de sustento, e isso deve ser levado em consideração se a igreja local tem visão de crescimento e de expansão do Reino!

O obreiro na dimensão da fé
 Acima de tudo, o obreiro deve aprender a viver numa dimensão de fé em todos os sentidos da vida, inclusive quanto ao seu sustento. Quero analisar com você a expressão tão comum "viver pela fé", que alguns usam para distinguir o obreiro que trabalha sem salário algum, do que é assalariado da igreja, do empregado ou daquele que trabalha por conta própria.  Alguns obreiros, por não serem remunerados pela igreja local, dizem: "vivo pela fé".
 Mas e os demais? O pastor que é pago pela igreja não vive pela fé? O irmão que trabalha por conta própria na sua barbearia, no salão de beleza, na banca da feira, no escritório, etc., não vive por fé? Todos vivemos pela fé! Tanto o que não tem salário algum, quanto o que é assalariado, vivemos pela fé; o dono da banca precisa vender, do contrário, não come; todos precisamos que tudo vá bem, para podermos ter nosso sustento. O dono da loja precisa vender, para que o funcionário crente receba seu salário.
 Mas o obreiro, quer seja assalariado pela igreja, quer viva de prebendas ou de ofertas, deve desenvolver uma forma de vida mais elevada que os demais: deve aprender a depender diretamente do próprio Deus. Aquilo que estabeleci no início, de que Deus chama - Deus paga, deve ser o norte que nos guia, o princípio central de nosso sustento. Jamais esqueça que não fomos contratados por homens, mas por Deus.
 Os obreiros contratados por homens, submetem-se aos homens, os que foram contratados por Deus, a Deus. E Deus tem critérios totalmente diferentes quanto ao sustento do obreiro. E mais: Deus paga melhor! Às vezes temos apenas o necessário para comer naquele dia, outras vezes abundância, mas nosso Senhor nunca nos deixa passar fome se estivermos em perfeita comunhão com ele. Nas Escrituras temos exemplos de como os servos de Deus eram supridos em suas necessidades das formas mais variadas.
 O maná nunca faltou no deserto durante quarenta anos! E na quantidade exata para cada pessoa. Deus fazia a água brotar da rocha. Elias foi sustentado por corvos que lhe traziam carne e pão duas vezes ao dia. Quando o ribeiro secou, ele foi para a casa de uma viúva onde comeu por mais de um ano e meio! Deus é fiel!  Havia tantos ricos em Israel, mas Deus cuidou de Elias na casa de uma pobre viúva! Ele, ela e seu filho foram abençoados por Deus!
 Posso testemunhar a esse respeito. São mais de três décadas de ministério desde que ingressei no Seminário Bíblico aos dezessete anos e, mesmo sem ter recursos para pagar as mensalidades da escola, trabalhava durante as tardes e no período de férias, fazendo o que sabia: pintava letreiros, decorações artísticas e desenhei, pela escala métrica, o projeto do novo prédio da escola que seria enviado para o arquiteto. Quando não tinha trabalho, chegavam cartas de parentes com remessas em dinheiro que era usado para meu sustento.
 Durante os primeiros anos de ministério, ainda solteiro e viajando muito por várias partes do Brasil, sempre dependi de Deus, e mesmo depois no pastoreio da igreja, aprendi a depender do Senhor para o meu sustento. Quando contraí matrimônio, sabia que a fé que possuía teria que ser maior, pois teria uma esposa para sustentar, e logo, os filhos. E isso aconteceu. Durante os anos de ministério Deus nos brindou com toda sorte de bênçãos. Morávamos em apto. alugado e nunca faltou recursos pra pagar no dia do vencimento. Hoje, olhando o passado, podemos ver como a mão de Deus acompanhou-nos em cada momento de nossas vidas.
 Deus é fiel! Se você tem certeza de que ele o chamou, pode ter certeza de que ele o sustentará. Aos dezessete anos, quando saí de casa para o Seminário, minha mãe escreveu num pedaço de papel o texto de Filipenses 4.13: "Tudo posso naquele que me fortalece", versículo que se tornou meu estandarte por toda a vida! Vê-se, pelo contexto, que Paulo está falando de todas as situações que enfrentou no ministério, entre elas a do sustento diário, e depois conclui: "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades" (Fp 4.19). Este último versículo não pode ser desprezado de seu contexto. Paulo está dizendo que, por haver semeado, por haver ofertado, você será grandemente abençoado. Quando o Senhor Jesus fala do sustento dos pássaros, da vestidura das flores, e condena a ganância dos bens materiais, está abordando um tema que nos interessa a todos.
 Encontrei num livro em inglês uma referência a um poema citado em Mananciais do Deserto (Editora Betânia), poema que não foi traduzido para a edição em português. Consultei os editores, que me falaram da liberdade que tiveram dos editores americanos em colocar poemas e textos mais brasileiros na nova edição. No entanto, traduzi o poema que aparecia no livro que estava traduzindo para o português, A Arte Perdida de Fazer Discípulos. Ele é profundo e simples, pois fala do cuidado de Deus com seus filhos.
O pardal falou para a andorinha:
"Gostaria mesmo de saber
Por que os humanos vivem ansiosos
Correndo e se preocupando com quê?"
A andorinha responde ao pardal:
"Amigo, acho que entendi
Eles não têm um pai celeste
Como o que cuida de mim e de ti." 

 Esse cuidado de Deus é inquestionável, e sua graça independe de nossas obras, no entanto, acompanhe meu raciocínio sobre a lei da semeadura, a seguir.
 Mas a capacitação divina é prometida, e precisamos nos manter ligados a ela. No processo, a grandeza será modelada dentro de nossas almas.
 Mas intimamente pessoal com Cristo é a nossa fonte essencial para o ministério. Devoção a Deus é o solo fértil onde o ministério finca raízes e cresce em direção à maturidade. Sem esta ligação básica, a vocação será confusa. Desta forma a vocação sempre sai de foco quando permitimos que nossa relação com Jesus e torne cerimoniosa ou superficial. Ao contrário proximidade de Cristo cria um caráter forte e nos leva ao centro da atividade redentora de Deus entre o seu povo.


Por João A. de Souza Filho


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Apaixone-se de novo por sua vocação!
"Originador de minha vocação revitalize meu amor pelo ministério, dá ás minhas ações o poder que provém da autenticidade, tempere minhas atitudes com graça, e capacita-me a servir a fim de que outros saibam que o cristianismo é mais do que uma regra de vida, é uma Pessoa para se amar. Amém."

REACENDA A VELHA CHAMA
"Não tenho mais nada a provar no jogo de basquete", disse Michael Jordan durante uma entrevista coletiva que anunciava sua "aposentadoria" do basquete em 1993 com a idade de trinta anos.
 Àquela altura, o superastro do Chiacago Bulls, com 2,0 m de altura, membro da Associação Nacional de Basquete, era considerado o melhor jogador de sua geração, talvez de todos os tempos. Durante uma carreira profissional de nove anos, o antigo "guarda" do time da Universidade da Carolina do Norte, marcou 21.541 pontos em 667 jogos de campeonato numa
 Jordan, que tinha sido membro do "Time dos sonhos" norte-americano, ganhador da medalha olímpica, disse aos repórteres: "Tenho estado nesta montanha russa por nove anos. Já é hora de eu mudar de diversa".
 A desistência de Jordan contém muitos paralelos para pastores cansados. É assustadoramente simples um pastor de igreja perder completamente o ânimo. Sem um reacender constante, a paixão pelo ministério pode se manter em fogo baixo ou apagar-se totalmente. Problemas apagam este fogo. Prioridades desajustadas e desapontamentos constantes afogam a paixão. E então quando a chama começa a cintilar, muitos ministros desistem, "queixam-se" ou seguem desanimados m ciclos de baixo rendimento.
 Diferente da motivação para se jogar basquete, todavia, uma paixão fervorosa pelo ministério pode ser reacesa com novos desafios, oportunidades que valham a pena e uma compreensão nova de que somos parceiros de Deus. Mas muito além do que a preocupação que um astro esportivo possa ter pelo dinheiro ou pela popularidade, um pastor lida com assuntos que em última análise têm outro peso, como verdade, destino, esperança e fé.
 O escritor Frederick Buechner sintetiza nesta frase libertadora a maravilhosa satisfação quer uma vocação nos dá; "O lugar para onde Deus o chama é o lugar onde se encontram as suas maiores alergias e as maiores carências do mundo". Reviva sua vocação original e alegre-se nela.

Vocação - Sentença de vida ou aventura corajosa?
 Uma história em quadrinhos de um jornal mostrava um enorme gato angorá na figura de um juiz d direito na cátedra. Diante de um acusado e apavorado gatinho, o juiz proclamou seu veredicto: "Como você tem sido um gatinho malvado, eu o sentencio agora à pena de nove vidas de gato."
 O ministério muitas vezes é percebido como uma sentença que dura nove vidas. Muita gente pensa na "vocação" como um juízo de Deus para tornar sofrida a vida do pastor, destinando-o a ser pobre e estrangulando sua alegria de ser marido, pai ou profissional. Bobagem! Por que deveríamos perceber o ministério como qualquer coisa menor que um estilo de vida aventureiro? Por que tantos pastores contemporâneos suspiram tanto por alguma coisa que lhes permita se afastarem respeitavelmente do serviço pastoral? Será que até os próprios pastores perderem a fé na importância do ministério?
 O problema seja talvez que nossa vocação para o serviço se tornou cansativa, nublada ou inviável. Não é verdade que uma das mais assustadoras fraquezas do cristianismo contemporâneo está enraizada em nós estarmos desligados da noção de termos sido "enviados por Deus"?
 Aparentemente, alguns pastores perderam esta fonte interior de motivação há nãos e jamais sentiram sua falta. Alguns já se esqueceram de quão insistentes era o seu "chamamento" quando o ouviram pela primeira vez. Ainda há outros pastores que questionam a relevância para hoje de um chamamento que receberam na infância ou na adolescência. A maioria de nós tem se esquecido do poder existente em algumas poucas pessoas comuns, como nós, para mudar o mundo- esta é a missão que nos foi por Deus.
 Uma vocação de pouca intensidade sempre leva a desertos áridos de serviços insatisfatórios, independentes da fase de nosso ministério. Um compromisso com nossa vocação prejudica o cérebro, ou a privação de alimento enfraquece o corpo. A desorientação ministerial é a consequência inevitável.
 Por outro lado, uma vocação robusta, atualizada, energiza todas as fases do ministério. Uma vocação energiza quem é chamado e o torna espiritualmente atento. Concentra o seu foco na significância do ministério. Torna-o mais nobre e mais em conato com Deus do que poderia sê-lo sem a vocação. Revitaliza a visão e abastece a motivação. E uma vocação reserva uma cadeira na primeira fila aos pastores para perceberem o que o poder da ressurreição é capaz de fazer em favor dos seres humanos.
 A convocação iniciada por Deus nos leva á arena principal da vida onde as pessoas se digladiam com os assuntos mais importantes tais como o nascimento, a vida, a morte, a doença, os relacionamentos rompidos, a saúde, a esperança, bem como as ambiguidades e a apreensão.
 Esta parceria com Deus nos leva a lugares privados e públicos, a lugares cheios de tristeza e cheios de alegria. Ele é o nosso passe vitalício para representar Jesus em casamentos, salas-de-espera de hospitais, funerais, batismos, santas Ceias e perguntas de importância vital que as pessoas têm direito de fazer, tais como: "Onde está Deus agora?"
 Uma vocação para o ministério provê força motivadora para ministrar e, ao mesmo tempo, nos capacita ao comprometimento de revolucionar o mundo por Cristo. Esta energia inspirada por Deus leva-nos a pessoas que não nos desejam por perto, e nos capacita a permanecer ali até que elas já não consigam mais viver sem nós. È o Evangelho vestido do couro do nosso sapato.

A vocação é singularmente pessoal
 A vocação inicial de Deus para o ministério tem muito pouco a ver com habilidades ou capacidade ou competência. Pelo contrário, uma vocação tem tudo a ver com fé, com devoção e com consagração. Uma vocação, na maioria das vezes, se inicia no cerne de nosso ser onde Deus causa um impacto em nossa identidade e em nossa auto-estima, e move-se para fora, em direção às necessidades do mundo, ou a uma pessoa magoada, seja o vizinho próximo ou do outro lado da cidade. Uma vocação tende a clarear o significado de nossas vidas e nos dar razão para viver.
 Uma vocação combina dimensões sobrenaturais com dimensões terrenas. Aquelas palavras tremendas, "uma vocação para o ministério", evocam imagens d arbustos em chama e d e relâmpagos no céu, mas também produzem imagens mentais de privilégios e de estar disposto a amar escravos para conduzi-los em direção aos propósitos de Deus.
 Henri Nouwen, um escritor devocional influente, sugere que na hora da vocação de um pastor em potencial, ele "se livra do peso da estrutura: não tem amigos com quem conversar, nem chamadas telefônicas a atender, não tem música para entretê-lo, nem livros para distraí-lo - nu, vulnerável, fraco, pecador, destituído, quebrantado - nada".
 Este é um encontro privativo, onde Deus convoca alguém para uma tarefa especial que nunca chega a ser plenamente compreendida por este. Tal vocação muitas vezes coloca em destaque as fraquezas ou fracassos da pessoa a fim de que a graça capacitadora e o poder de Deus se destaquem no alívio ousado do total esquema de vida daquela pessoa.
 No processo de ser chamada, a pessoa, via de regra, compreende quão fraca ela é, o que Deus tencionada que Lea se torne e como o mundo e a igreja precisam de alguém exatamente como ela para este serviço.
 Uma vocação significa ser usado para atingir parte do mundo de Deus-aquela parte nobre e eterna. Ao mesmo tempo uma vocação significa que eu vou trabalhar no lugar  aonde ele me mandar. Esta é a parte suada e terrena de uma vocação. É uma convocação para ir a território desconhecido, mas sempre com a promessa da companhia de um Deus absolutamente saber Quem está guiando do que onde está indo.            
 Nenhuma das experiências mais sublime que um ministro vocacionado possa ter na vida jamais ultrapassada tal encontro com Deus. A pessoa vocacionada não consegue nunca esquecer - se do fato de que foi chamada. No sentido espiritual, sua alma está marcada para sempre e de maneira indelével. Aquele que chama - o próprio Deus - transmite uma convocação clara que só pode ser ouvida por quem está sendo chamado, mas este a escuta como um trovão e em geral pelo tempo que sua vida durar.
           
Vocação - uma conexão de amor com Deus
 Todavia, a dimensão da conexão de amor de uma vocação precisa de muito maior atenção e visibilidade do que recebe hoje em dia na maioria dos lugares. O ministério é o amor em ação: amor que Deus demonstra para com o pastor ao confiar nele; amor que o pastor demonstra para com Deus ao servi-lo; e amor que tanto Deus como o pastor demonstram para com seres humanos em necessidades.
 Tida a verborragia sinistra e escravizadora que tanto se ouve sobre a vocação ao ministério tem de ser questionada e rejeitada em favor de algo melhor. Alegria, prazer, satisfação, serenidade, encantamento, bem como realização de missão precisam ser muito mais enfatizados. Palavras gloriosas, que nos convocam à luta, tais como fé, esperança, integridade, credibilidade e serviço, devem ser misturadas à deliciosa receita. O gozo, o romance e a aventura que Deus concede à vocação de todo pastor devem ser expressos com muito maior frequência. O ministério é uma aventura.
 Eu (Neil) conheci um estudante recém-casado que praticamente gritou no início de nossa conversa: "Eu adoro estar casado. É a coisa mais incrível!" A esposa dele aprecia muito este tipo de conversa, e bem que deve. Eu me pergunto o que
 Na semana passada conheci um pai-pela-primeira-vez que esbanjava entusiasmo: "Saber que minha garotinha depende de mim é a maior alegria de minha vida." Esta atitude também funcionaria na igreja. Por que não começar uma revolução de comunicar afeição amorosa cada vez que um pastor subir a um púlpito: "Participar do desenvolvimento espiritual de vocês é a coisa mais empolgante do mundo para mim!"? Pense nas possibilidades e desdobramentos que um caso amoroso destes poderia causar.
 Um pastor amigo meu sintetizou com alegria e exatidão o ministério: "Eu consigo ver mais  da atuação de Deus em uma semana do que a maioria das pessoas vê durante a vida toda". Nossa vocação sempre nos proporciona isso. Se estivermos dispostos a ver, ele nos permite observar em primeira mão como as pessoas aplicam a fé que há de melhor e ao que há de pior em suas vidas.
 Vamos nos colocar no prumo de novo. Nossa vocação nos coloca, cheios de paixão, no meio da ação espiritual - nossa e de outros! O ministério não é escravidão, mas uma força de amor ágape capaz de recuperar espiritualmente o indivíduo e a sociedade.
 Infelizmente, para algumas pessoas não é suficiente ser ungido. Imaginamos que exista algo melhor, maior, mais importante, mas, na verdade, a vocação é a unção de Deus. Não se torna melhor do que já é, mas o que mais poderia se desejar?

Vocação - não muito diferente do que ser médico do interior
 Para apreciar melhor o potencial indescritível armazenado em sua vocação, tente visualizar seu ministério como a contraparte espiritual do que no passado costumava acontecer com o médico do interior. O experiente doutor era parteiro, acompanhava as crianças em seus anos de crescimento, dava-lhes as vacinas preventivas, curava sua febres, ouvia os seus sonhos, ajudava-as nos anos de puberdade e espinhas, ensinava-lhes os fatos da vida, assistia aos seus casamentos, fazia os partos de seus filhos e assim recomeçava o ciclo com a geração seguinte.
 "O velho serra - ossos", como alguns carinhosamente o chamavam, estava muitas vezes cansado, frustrado com seus fracassos, era mal-pago por seus pacientes, mal-equipado em tecnologia, e não era necessariamente percebido como um profissional de destaque por seus colegas de profissão nos hospitais da cidade grande.
 Mas ao viver sua vida, ele tinha a alegria indivisível de saber que tinha salvo a vida do Sr. José, que tinha conduzido Dna. Francisca e seu filhinho por um parto dificílimo, velado a noite toda pela vó Cibele quando ela deixou este mundo pelo que há de vir a receitado o remédio exato que fez Chiquinho sarar em dois dias.
 O ministro tem um impacto semelhante no desenvolvimento espiritual daqueles a quem ele serve. Ele é o clínico geral, o padre do confessionário, o obstetra espiritual, o especialista na fé. Pastores, todavia, deveriam experimentar muito maior enlevo do que o médico rural.
 Eles encaminham pessoas a Cristo, capacitam outros a fazerem sentido da vida, preservam casamentos que estavam por se romper, ensinam a fé aos pequenos, seguram as mãos dos santos na sua morte e compartilham de uma santa parceria com Cristo. Os privilégios e a realizações são milagrosos.

O ROMANCE REALISTA DO MINISTÉRIO
 Apaixonar-se de novo por sua vocação pode parecer um retorno adolescente, ilógico e mesmo utópico a alguma coisa que nunca foi como o primeiro amor de criança pela garotinha da casa ao lado ou repentina paixão pela professora da pré-escola.
 Em um nível mais satisfatório, porém, um amor reacendido realisticamente pelo ministério talvez se pareça mias com fazer uma longa lista em papel timbrado das razões pelas quais ainda se continua apaixonado pela mesma pessoa depois de um casamento de uma década ou mesmo do meio do século.
 Veteranos do amor amadurecido no casamento e no ministério dizem que ele é tão plenamente satisfatório quanto o amor dos iniciantes - talvez até mais. E embora alguns ministérios e casamentos persistam, mesmo sem amor, são mais agradáveis e mais úteis quando suprimos de afeição, fidelidade e sonhos que se compartilham.
 Para se apaixonar de novo pelo nosso ministério é preciso retornar às âncoras básicas do ministério. As perguntas prementes são:
Quem o chamou?
Quem o iniciou neste trabalho?
Por onde o amor vaza e escapa do ministério?
O que se requer para tornar o amor a sua motivação mais forte de novo?
A cultura secularizada tem tirado o significado do serviço cristão para você?
 O amor é o incentivo mais fascinante do ministério - a emocionante dimensão de fé que mantém o ministério do pastor pessoas, arejado e íntimo. Qualquer outro motivo que seja eventualmente frustra e causa curto-circuito no ministério.
O amor também nos fornece uma salvaguarda pessoal. Sem amor por Cristo e pelas pessoas, o ministério facilmente se transforma muna gratificação incontrolada do ego e numa necessidade exagerada de proeminência e de controle. Neste caso o pastor corre o risco de se tornar um típico charlatão religioso. O amor a Cristo, todavia, nos mantêm concentrados nas coisas que de fato fazem diferença.
 A proximidade de Cristo é o que nutre o ministério. Um exemplo disso é o pastor urbano que fica atônito com as necessidades ao seu redor logo que permite que seu amor pelo Senhor esfrie. As necessidades são grandes demais, os recursos muito poucos. Em Tempos assim, é fácil sentir-se rejeitado por aqueles a quem servimos e frustrado por causa do vagaroso processo espiritual deles.
 Se, por outro lado, o mesmo pastor se mantém concentrado em sua motivação de amor, ele é capaz de ver Deus agir, mesmo nas circunstâncias mais complicadas. Assim ele desfruta de seu relacionamento com seu Parceiro Mais Experiente que carrega quase toda a carga e dirige o movimento seguinte.
 Nossas intenções e motivação estão entre os assuntos mais importantes do ministério. Embora pastores possam ser levados por motivos os mias variados, um chamamento genuíno deve ser alicerçado em um compromisso direto de servir a Deus e um desejo sincero de preocupar-se, em nome de Jesus, por pessoas machucadas, pecadoras e maltratadas. A fundação sólida é uma paixão pela verdade. Por agradar a Deus e por ser útil no serviço.
 Nossa tarefa é de reacender ou recapturar o nosso caso amoroso e venturoso com nosso chamamento, o mesmo que conhecemos  no princípio quando a direção de Deus era fresca como o orvalho da manhã.

Atue como quem ama o ministério
 Uma mulher de meia-idade escreveu para um colunista sindicalizado da "Seção de aconselhamento emocional" de um jornal para lhe dizer que, depois de 25 anos de casamento, ela estava deixando de amar seu marido. Dizia que a chama tinha se apagado, que o brilho tinha passado; ele roncava e tinha engordado mais de 13 quilos. O antigo sentimento mágico tinha desaparecido e ela já não mais ouvia sinos ou assobios. Os filhos estavam crescidos e já tinham saído de casa, de tal forma que ela vivia em um ninho solitário e vazio. Ela pedia conselhos sobre como ir embora, pedir o divórcio e recomeçar.
O conselho: Fique exatamente onde está. Comece a agir como se estivesse apaixonada. Pratique ações que demonstrem amor. Pare de ter dó de si mesma. Demonstre amor até que sentimentos calorosos comecem a renascer. Eles irão renascer. Neste processo, talvez você aprenda a amar o seu marido mais do que você amava quando contava com a ajuda de sentimentos mágicos ao invés de relacionamento autêntico, fé perseverante e lealdade contínua.
 Vamos tentar por em prática este conselho no ministério. Talvez possamos criar uma profecia estimulante, positiva e que se cumpra por si mesma em nosso favor.
 Um ministério de primeiro pastorado compartilhou seus sonhos como recém-chegado à reunião da associação de ministros de sua área. Contou como tinha começado seu primeiro ministério com fervor extraordinário em uma localidade onde ninguém mais queria servir. Contou sobre o vazio que sentia em seu emprego anterior como corretor do mercado de ações. Para qualquer um com um mínimo de bom-senso, seu sentimento de chamamento tinha a mesma eletricidade que a vibrante frase de Paulo: "A esperança do seu chamamento(EF 1:18).
 Tristemente, vários pastores mais experimentados no grupo responderam com reclamações desencorajadoras a respeito da monotonia do ministério moderno. O entusiasmo destes já havia morrido; o foco de sua atenção mudado para tarefas horrorosas que ele detestavam. Murmuravam acerca de reuniões arrastadas, de documentos a serem examinados mecanicamente, membros da igreja intrometidos e coerção auto - infligidas para serem bem - sucedidos de um ponto de vista meramente mundano.
 Compreensivelmente, Deus parecia estar longe deles mesmos e do povo a quem serviam. Estavam exauridos espiritualmente e sentiam que ninguém recebia qualquer tipo de benefício por meio de sua pregação. O ministério era miserável, um fardo pesadíssimo para eles.
 A discrepância que estas duas visões radicalmente demonstram é chocante. O pastor iniciante é provavelmente excessivamente idealista, e os veteranos bisonhos em excesso. Mas tanto as mãos noviças como as calejadas precisam de um amor maduro pelo ministério que possa desenvolver-se no correr de uma vida inteira de serviço. Um ministério eficiente não vai durar muito sem isso.
 Por muitas infelizes razões, milhares de pastores perderam a fé em si mesmos e em seus chamamentos. Assim sendo, para que possam servir de maneira adequada e feliz nos tempos de hoje, alguma coisa sobrenatural tem de acontecer com eles. Para o seu próprio bem, para o bem da igreja e para salvação dos perdidos, alguma coisa tem de mudar.
 A glória, o privilégio, a alegria e a realização têm de ser recapturados. A centelha que já vai morrendo tem de ser soprada até tornar-se fogo vivo e vermelho. O dever tem de tornar-se prazer. O entusiasmo tem de ser ressuscitado. O amor tem de renascer. A imaginação, a intensidade e a expectativa positiva têm de florescer de novo. O primeiro passo, obviamente, é agir como se você amasse o ministério tanto quanto o amou no princípio.

Personalize a renovação ministerial
 Todo pastor já passou pela experiência de aconselhar casais que pareciam mais interessados em procurar um novo amor do que em restaurar o amor antigo. A energia que estão dispostos a investir em uma nova relação poderia reacender o significado da relação existente. O mesmo tende acontecer em seu caso para que você reencontre o brilho e a alegria do ministério. Quando tal renovação acontecer, você nunca mais considerará a hipótese de desistir do ministério para vencer carros usados, para tornar-se um assistente social, para assumir-se como carpinteiro ou para tornar-se um rei.      
 Faça uma avaliação realista de si mesmo. Talvez você já tenha mais importância do que de fato percebe. Nenhuma ocupação profissional no mundo inteiro se compara com a satisfação que um pastor usufrui quando ama a Deus, ama a sua vocação e demonstra amor para com as pessoas a quem serve.
 Poucas experiências são tão agradáveis quanto servir a uma congregação quando as coisas vão bem. Nada produz tanto significado como sentir que os outros precisam de nós. Nenhuma outra vocação permite a alguém chegar tão perto de tantas pessoas em situações com tamanho potencial de mudar suas vidas. Renovar o amor por nossas vocações exige esforços, tempo e proximidade. Todos sabemos que um namoro significativo sempre exige tudo de nós - coração, mente, vontade e corpo. E este caso amoroso para se renovar precisa do seu esforço completamente dedicado também.
 Lembre-se de que o ministério é mais do que uma profissão honrada, do que uma dedicação digna de louvor ou do que um estilo de vida recomendável. Mais que isso, é um relacionamento terno, que instila vida entre o Salvador e o pastor.
 Por vezes alguns pastores têm a impressão de que o ministério seria mais eficiente e mais agradável se sistemas, denominações e entidades para eclesiásticas ou congregações locais fossem reformadas. Admitimos, algumas destas entidades precisam desesperadamente de renovação. Remotivação para pastores contemporâneos virá muito mais provavelmente de pessoas do que de organizações, de manifestações individuais de ministério do que de sistemas revitalizados, de seu coração mais do que de seu cérebro. O amor pelo ministério tem de ser renovado em um ministério de cada vez. Ofereça a si mesmo oportunidade de um novo romance em seu trabalho para Deus.

Torne a sua mensagem atual
 "Como poderia eu estar cansado de minha vocação se posso olhar para minha congregação e contar 25 recém-nascidos na fé que eu mesmo tive parcela em levar a Cristo?" é a maneira como um pastor descreveu sua experiência de primeira mão na lição sobre o amor. Ele tinha caminhado um estágio adiante de meramente satisfazer aos fiéis para o de transformar gente problemática. Rapidamente descobriu aquela satisfação inacreditável que vem de alcançar pessoas contemporâneas. 
 Cada nova geração tem de experimentar por si mesma a incrível satisfação de apresentar o Evangelho de Cristo à sua própria geração. Cada geração deve buscar esta tarefa como muito mais do que uma experiência cansativa e desanimadora de meramente manter uma piedade antiquada. Ao contrário, a ordem de Deus para cada nova geração de ministros é que revitalizem, renovem, remodelem e reforcem a si mesmos, as suas igrejas, as suas comunidades e as suas culturas. Qualquer que seja o pecado e a secularização, cada nova época precisa daquilo que o Evangelho de Cristo oferece. Quando foi o desafio de redescobrir o Evangelho maior do que é hoje?
 A alegria de comunicar o Evangelho de forma que nossos contemporâneos o possam entender irá amplificar seu conhecimento da Escritura, sua compreensão da falência moral da sociedade e suas habilidades de falar e de escrever. Isso tem de ser feito. E o entusiasmo de mostrar Cristo às pessoas secularizadas traz nova realização e autenticidade ao seu ministério.

Vá além da lua-de-mel
 Depois que termina a lua-de-mel, a casa tem de ser limpa, o lixo tem de ser colocado para fora, tem de se estabelecer rotinas, pagamentos de prestações têm de ser feitos e o carro que se quebra tem de ir para o mecânico.
 Embora nenhuma lua-de-mel dure para sempre, o amor pode se desenvolver e tornar-se uma experiência significativa pela vida toda. Embora o amor amadurecido não seja melhor do que o "corar" e do que as emoções fortes primeiro ano de casamento, ele é satisfatório em outros sentidos e mais duradouro. Ele não é uma negação da alegria do começo nem inferior ao período da lua-de-mel. Inícios e amadurecimentos produzem seus tipos específicos de satisfação.
 Um desenvolvimento similar de crescimento deveria se processar no ministério. Depois de um começo maravilhoso quando o pastor conhece gente nova e sente o privilégio de ter sido educado, ordenado e instalado, sermões têm de ser preparados, pecadores tem de ser levados a Cristo, pessoas ensimesmadas têm de ser visitadas, crises têm de ser enfrentadas, crentes têm de ser treinados, relacionamentos têm de ser estabelecidos e dinheiro tem de ser levantado. O começo e a continuidade devem ser fases importantes do vivenciar do ministério no meio do povo de Deus. O entusiasmo do começo foi projetado como uma parte importante do alegre processo de amadurecimento do ministério.
 Embora renovar o amor pelo ministério e moldá-lo em direção a um relacionamento maduro requeira energia e imaginação, requer muito menor esforço do que encontrar e mudar-se para uma nova experiência. O relacionamento amadurecido, como o casamento maduro, provê uma recompensa extra, uma congregação de verdadeiros amigos que encontram força uns nos outros e dão força uns aos outros, muito mais do que poderia se conseguir em reações de curto prazo ou superficiais.
 Como o amor no casamento, a vocação para o ministério muitas vezes precisa de rejuvenescimento. Um líder de igreja acredita que os cultos de ordenação cumprem este propósito. Ele os denomina de "tempo em que os veteranos têm a oportunidade de ouvir de novo o discurso dirigido aos recrutas". Ele está certo, mas também existem outros caminhos. Por que não buscar o crescimento à maturidade em todo evento e relacionamento concebíveis de seu pastorado? Valorize toda palavra positiva que os membros da igreja lhes disserem. Procure por ela em cada expressão de serviço.
 Pague seja qual o preço que for para encontrar satisfação duradoura em seu trabalho para Deus. A compreensão resultante de fazer parte de uma tarefa decisiva para ele reacender o vigor, o zelo, a missão, o foco, a dependência de Deus e a afeição pelo trabalho; também fortalece a vitalidade espiritual pessoal.

Alimente sua vocação
 O ministério é uma grande piada sem um recrutamento sagrado. È total loucura enfrentar o ministério sem o poder de Deus.
 Mas a capacitação divina é prometida, e precisamos nos manter ligados a ela. No processo, a grandeza será modelada dentro de nossas almas.
 Mas intimamente pessoal com Cristo é a nossa fonte essencial para o ministério. Devoção a Deus é o solo fértil onde o ministério finca raízes e cresce em direção à maturidade. Sem esta ligação básica, a vocação será confusa. Desta forma a vocação sempre sai de foco quando permitimos que nossa relação com Jesus e torne cerimoniosa ou superficial. Ao contrário proximidade de Cristo cria um caráter forte e nos leva ao centro da atividade redentora de Deus entre o seu povo.
 Habilidade na pregação, conhecimento acerca da bíblia e da teologia u mesmo experiência ministerial não são suficientes. A preocupação maior de João Wesley de que um pastor fosse amigo íntimo de Deus deveria ser também a nossa. Antes de perguntar: "Será que o candidato tem talento para o desempenho de sua função?" Wesley costumava "levantar três perguntas prioritárias:" Ele conhece a Deus? Ele deseja e busca nenhuma outra coisa senão a Deus? Ele tem o amor de Deus habitando em si? "Uma vocação para o ministério dá início e pode realizar coisas incríveis muito além de nossos sonhos mais ousados por causa justamente deste relacionamento que existe entre Deus e o pastor.
 Embora a vocação tenha dimensões congregacionais e sociais de amplo alcance, ela se inicia como um diálogo particular - um encontro ao vivo, capaz de mudar a vida - entre Deus e o futuro ministro. Embora mais tarde possa ser identificado com uma dimensão de tempo e de lugar onde Deus encontrou-se com o futuro pastor, o chamado é na verdade uma reunião sagrada, uma aventura com a deidade, um momento de iluminação, uma urgência insistente, uma ordem a entrar no serviço ativo e um convite extravagante, tudo isso combinado.
 Um ministro denominou tal encontro de um constrangimento espiritual. Ele explicou: "Depois de ter sido vocacionado, eu me senti como um homem marcado - só que ninguém mais podia ver a marca senão Deus e eu. E eu tenho tentado esclarecer o sentido daquele encontro por toda a minha vida".
 Nos altos e baixos do ministério, cada dia traz consigo algum evento confuso, ambiguidade perturbadoras, fantasias erradicas e aflições estranhas que se ajuntam para levar o pastor a questionar sua competência, seu compromisso e sua eficácia. Embora cada nova batalha possa ser levemente diferente, é uma atalha mesmo assim. É precisamente no meio destas questões e pontos de mudança - sejam eles pessoais familiares ou profissionais - que nosso Senhor vem e nos faz lembrar: "Preciso particularmente de você para uma tarefa específica, mesmo quando você está no auge destas batalhas".
           
Transforme conceito em ações específicas
 Por alguma razão desconhecida, é fácil para fé cristã tornar-se uma busca acadêmica de alto nível tal como o estudo da biologia ou da física - conceitual, mas não específica em sua aplicação aos detalhes da vida. Em momentos de comunicação íntima com nosso Senhor, ele em geral nos faz perceber as coisas com maior claridade e solidez. Dessa forma a fé se move do âmbito das abstrações e dos conceitos nebulosos para os específicos e os particulares. Assim, muros artificiais entre o sagrado e o profano caem por terra. Assim, um ministério radiante flui do coração e da mente do ministro chamado por Deus, o qual, no lugar secreto, tem recebido ordens do Comandante-em-chefe.
 Os resultados: O ministério é clarificado e priorizado, e assim passamos a trabalhar com noções estranhas, histórias confusas de vida e crenças infantis de pessoas reais com necessidades específicas. Nesse processo, Deus ajuda o ministro a separar a palha pastoral do trigo ministerial, de tal forma que ele é capaz de discernir quais das suas prioridades e atividades ministeriais são para a glória de Deus e quais são para o engrandecimento de seu intelecto iluminado e de seu auto- interesse conivente. O amor é que energiza esse dar e receber em relação à deidade que capacita o pastor tornar o ministério específico para João e Maria, para Timóteo e Margarida, e para Marcos e Suzana.

Peça a Deus uma grandeza visionária
 Toda congregação precisa de um pastor que ore assim: "Ó Deus, nosso Pai, não nos permitas estar satisfeitos de sentar e esperar o que vai acontecer, mas dá-nos a determinação e fazer acontecer coisas certas".
 Deus deseja ver uma faceta assim ousada na vocação de cada pastor - um tipo e esperança renovada, um novo começo e uma grandeza visionária que consegue ver além de qualquer limitação, seja ela real ou imaginária. Um espírito pioneiro para cada realização feita por Deus se relaciona com a vocação de cada pastor e é a única esperança para muitas situações mortas ou quase totalmente apagadas. Ao revitalizar a vocação de alguém, Deus ajuda o pastor a ver aquilo que outros talvez considerem uma ilusão pretensiosa como uma realidade inacabada do que Deus deseja realizar naquela circunstância.
 Tal experiência é semelhante ao que o pastor experimenta em seu chamado inicial quando Deus lhe mostra o mundo inteiro. Embora isso exceda á sua imaginação e auto-conceito, o noviço é atingido para sempre com uma visão as necessidades globais que alguém terá de suprir m nome de Jesus.
 É essa exatamente a situação em muitas igrejas em conflito e dificuldade hoje em dia. Algo grandioso precisa ser realizado, e a única esperança para uma realização sobrenatural naquele lugar é que foi vocacionado creia que Deus já está operando e fará com que realizações significativas se processem.
 Esta grandeza visionária

Por H. B. London Jr. e Neil B. Wiseman


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Sucesso duradouro não é feito só de talento!
"A ética do caráter ensina que existem princípios básicos para uma vida proveitosa, e que as pessoas só podem conquistar o verdadeiro sucesso e a felicidade duradoura quando aprendem a integrar estes princípios a seu caráter básico".                            

  Você já leu que, até mesmo depois de morto, ainda continuamos a influenciar, positiva ou negativamente? Veja o que a Bíblia diz: "Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo (caráter), dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala (influência)".
  Aprendemos com José, que não é o ambiente que faz a pessoa, mas é a pessoa, cuja vida tem propósito bem definido, por causa da sua profundidade de caráter e de seu compromisso com Deus, é que faz o ambiente. José estava longe dos pais, dos irmãos, dos parentes, da sua casa, da sua cultura, enfim,  da sua terra,  porém não negociou o que é inegociável - princípios - e isso tem a ver comcaráter. O grande desafio hoje, para aqueles que muitas vezes são obrigados a deixar a sua casa, para estudar ou trabalhar em outra cidade, estado ou até mesmo em um outro país,  buscando o melhor para a sua vida, é influenciar, e não ser influenciado, é alterar, e não ser alterado, é mudar e não ser mudado.
 É impressionante como José exercia grande influência em uma terra tão distante, em um ambiente tão hostil, em um lugar onde as circunstâncias eram favoráveis para uma vida descompromissada  de  princípios. A pergunta é: Onde estava o segredo desse escravo-vencedor?
 A força de José estava na profundidade e na nobreza do seu caráter.
 Se o caráter é um feixe de hábitos, lembro-me do que disse Jim Peterson: "Bons hábitos não são criados em datas de aniversários, nem um caráter cristão é formado no primeiro dia de um novo ano. A 'oficina' do caráter encontra-se no dia-a-dia da vida. É aqui que as batalhas são ganhas ou perdidas."  Sucesso aprovado por Deus não se faz apenas com talento e carisma, é preciso ter caráter. Foi no exercício do seu trabalho como escravo livre, que o patrão se surpreendeu: "Vendo Potifar que o Senhor era com Ele (José)...". 
 A grandeza e a profundidade do caráter desse campeão no Egito se manifestavam através das suas atitudes, do seu comportamento e da sua conduta. Ao fazer esta constatação, logo Potifar colocou tudo o que possuía nas mãos de José.

"...deixou tudo o que tinha na mão de José, de maneira que nada sabia do que estava com ele, a não ser do pão que comia".

 Caráter - confiança... Deus não avalia você da mesma forma que os homens o avaliam. Para estes, você vale pelo que você "tem",  para Deus você vale pelo que você "é".  Sua atitude determina sua altitude.  O conteúdo de vida desse cidadão de alma nobre (José) revela um caráter que tinha a consistência de uma rocha. Como escravo, talvez  ele não fosse  relevante aos olhos de muitos, quem sabe, nem era contabilizado, no senso, com os cidadãos livres do Egito, porém, diante de Deus, ele era como "a menina dos olhos", um tesouro precioso, um vaso de honra, um instrumento afinado... O que você prefere, ser relevante aos olhos dos homens e não existir diante Deus, ou ser relevante aos olhos de Deus e muitas vezes imperceptível aos olhos dos homens? Os que fazem a opção de ser relevante diante de Deus, não negociando - princípios - não vendendo a alma a fim de alterar e não ser alterado pelo ambiente quase sempre contaminado e corrompido, serão por Ele (Deus)  exaltados. Veja o que aconteceu com Daniel, que também fez a opção de não se contaminar, não se vender, quando foi levado para servir na Babilônia.
 "Ora, a esses quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda visão e sonhos." Deus continua à procura de gente que tenha as marcas que foram manifestadas no caráter de José, no Egito, e de Daniel, na Babilônia, "para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;" 
 "Vendo Potifar que o Senhor era com ele - José..." Sem dúvida, José era extremamente carismático, o que fazia com que ele sempre caísse  na graça das pessoas. Quando falo em carisma, estou falando em sedução, mágica, originalidade, atração, charme, dinamismo, presença, magnetismo, personalidade, confiança, vitalidade, força, persuasão,  desinibição, comunicação e senso  de humor. Se José tivesse todas estas virtudes carismáticas, mas não tivesse integridade de caráter, com certeza ele não estaria na galeria dos santos heróis da fé.
 Fazendo uma auto-avaliação, pergunte para você mesmo: - No trabalho, na escola, na igreja, na vizinhança, na família, as pessoas, quando olham para mim, conseguem perceber Deus no meu estilo de vida? Sua postura, seu comportamento, suas atitudes, o conteúdo das suas conversas, sua maneira de lidar com seus negócios, a forma de tratar o sexo oposto, a maneira como você lida com as críticas e a oposição e a maneira como você se veste manifestam a presença de Deus com em você? Era possível enxergar Deus em com José, por causa da qualidade do seu caráter, que era fruto do seu comprometimento com os princípios que devem nortear a vida de quem é servo de Deus.  
 José viveu como alguém que tinha consciência de que Deus esperava muito dele. Não é diferente com você e comigo, pois Deus espera muito de nós, isto porque Ele nos deu um grande potencial que não pode ser negligenciado. Por estar longe de casa, José poderia sentir-se livre para viver levianamente, porém ele fez a opção de viver para o louvor e a glória do nome do Senhor. Ele estava disposto a alterar o ambiente e não ser alterado pelo ambiente.
 Aqui está uma grande lição para todos aqueles que estão vivendo sob pressão no trabalho, na escola ou na própria família, é possível influenciar e não ser influenciado.  Uma vez perguntaram a um pobre cego: "Por que você leva consigo uma lâmpada quando sai de noite, já que não pode ver a sua luz?" "Levo-a", respondeu, "para que os outros me vejam e não tropecem em mim". Ande, pois, de tal maneira que as pessoas recebam de você apenas bênçãos; lute para nunca ser motivo de escândalo, e o testemunho que darão a seu respeito, quando chegarem na casa do Pai Celeste, será: "Tu fostes sempre um motivo de bênção para mim". Não é esta uma santa ambição, digna de todo sacrifício? Você não foi chamado para ser "mundo do mundo" e "terra da terra", e sim para ser  "luz do mundo e  sal da terra"; chamado para fazer a diferença "no Egito = que é o mundo hoje". Deus espera muito de você, porque lhe deu um grande potencial, não O decepcione!
1) Hebreus 12:4
2) Gênesis 39:3
3) Gênesis 39:6
4) Daniel 1:8
5) Daniel 1:7
6) Filipenses 2:15c


Por Pr. Josué Gonçalves


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